Camada de ozônio mostra primeiros sinais de recuperação, diz ONU

A camada de ozônio, que protege a vida na Terra dos raios ultravioleta do sol, que são cancerígenos, está mostrando seus primeiros sinais de espessamento depois de anos de degradação, afirmou um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU) nesta quarta-feira.

TOM MILES, REUTERS

10 Setembro 2014 | 17h30

Especialistas disseram que a recuperação confirmou o sucesso da proibição de 1987 a emissões de gases criados pelo homem que danificam a frágil camada de grande altitude, uma conquista que poderia ajudar a evitar milhões de casos de câncer de pele e outros males.

O buraco na camada de ozônio que aparece anualmente sobre a Antártida também parou de ficar maior a cada ano, embora seja necessária cerca de uma década até que comece a encolher, informou o relatório co-produzido pela Organização Meteorológica Mundial (WMO, na sigla em inglês) e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUD).

"A ação internacional na camada de ozônio é uma grande história de sucesso ambiental... isso deveria nos estimular a exibir o mesmo nível de urgência e unidade para lidar com o desafio ainda maior da mudança climática”, declarou o secretário-geral da WMO, Michel Jarraud.

Estudos anteriores já levavam a crer que a camada de ozônio tinha parado de se degradar.

“Agora, pela primeira vez, dizemos neste relatório que vemos indicações de um pequeno aumento no total de ozônio. Isso significa que uma recuperação na camada de ozônio em termos de total de ozônio acaba de começar”, disse o primeiro secretário de ciência da WMO, Geir Braathen.

O Protocolo de Montreal de 1987, que proibiu ou induziu a um fim gradual os produtos químicos que destroem o ozônio, inclusive os clorofluorocarbonos (CFCs) outrora amplamente usados em geladeiras e latas de spray, devem prevenir dois milhões de casos de câncer de pele anualmente até 2030, de acordo com o PNUD.

O acordo também deve evitar danos à vida selvagem, à agricultura, aos olhos e ao sistema imunológico humanos, acrescentou a entidade.

Espera-se que a camada de ozônio recupere os níveis que tinha em 1980 até a metade deste século, ou um pouco mais tarde na Antártida, onde fica perigosamente fina todos os anos entre meados de agosto e novembro ou dezembro.

“Achamos que lá para 2025, ou próximo disso, poderemos dizer com certeza que o buraco na camada de ozônio está ficando menor”, afirmou Braathen.

A redução de produtos químicos que destroem o ozônio também ajudaria o meio ambiente, sustenta o relatório, já que muitas destas substâncias são gases de efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global.

Mas o nível crescente de outros gases de efeito estufa na atmosfera “tem o potencial de minar estes ganhos”, alerta o documento.

((Tradução Redação Rio de Janeiro; +55 21 2223-7148))REUTERS MPP

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