Caetité (BA) restringe consumo de água devido à radioatividade

Três pontos de fornecimento de água da cidade foram condenados para consumo dos moradores e indústrias

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

22 Janeiro 2010 | 09h03

O Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá) e a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia notificaram, nesta quinta-feira, 21, a Prefeitura Municipal de Caetité e as Indústrias Nucleares do Brasil (INB) a suspenderem imediatamente o consumo de água em três pontos da cidade. A Prefeitura Municipal foi notificada sobre a suspensão imediata do uso e a garantir o abastecimento alternativo de água para as famílias atingidas.

 

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Segundo o Ingá, nesses pontos foram detectadas a presença de radioatividade alfa e beta acima do permitido. Destes três, apenas um ponto é utilizado para abastecimento humano com radioatividade alfa acima do limite permitido, que é o poço da Prefeitura do povoado Barreiro, da zona rural de Caetité, que abastece cerca de 15 famílias desde 2007, com água armazenada em uma caixa d'água. O índice de radioatividade alfa encontrado foi 0,30, quando o padrão é 0,1bq/litro, de acordo com a portaria 518 do Ministério da Saúde. Já o padrão para radioatividade beta é 1,0 bq/l.

 

Do total de 50 poços que ficam na área da mina de extração de urânio das INB, seis poços e mananciais superficiais de três municípios vizinhos à mina apresentaram radioatividade acima do permitido pelo Ministério da Saúde e o consumo de água dessas fontes foi suspenso no começo de dezembro do ano passado, após o recebimento dos resultados da análise de coleta de amostra de água realizada pelo Ingá na região de Caetité.

 

Os outros dois pontos onde foram detectadas a radioatividade estão localizadas dentro do pátio da INB e são utilizadas para fins industriais. São eles o poço 1, com índice de 4,07 de radioatividade alfa e de 4,05 para radioatividade beta; e a bacia de acumulação Joaquim Ramiro, também dentro da indústria, com 0,23 alfa.

 

De acordo com o diretor de Regulação do Ingá, Luiz Henrique Pinheiro, o poço 1 está em processo de análise de renovação de outorga (autorização para uso da água), e que, por conta deste resultado, não será renovada. Já o tanque de acumulação não é passível de outorga. "O que preocupa é que este poço usado pela indústria contamina o aquífero (água subterrânea). É preciso saber a extensão e profundidade deste aquífero e da pluma de contaminação", afirmou.

 

A segunda parte dos resultados, que indicam os radionuclídeos - que informam qual elemento está emitindo a radiação - está prevista para ser entregue ao Ingá até o início da próxima semana.

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