Brasil pode ter 93% da matriz energética limpa até 2050

Cancún - Um relatório do Greenpeace demonstra que o País pode ter 93% da energia elétrica com origem em fontes renováveis, como eólica, biomassa e solar, sem deixar de ter crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). O documento foi apresentado ontem durante a Conferência do Clima da ONU de Cancún, a COP-16.

Afra Balazina, O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2010 | 15h56

 

O aumento da energia limpa é chamado pela ONG ambientalista de revolução energética. Haveria benefício ao ambiente com a redução do uso de combustíveis fósseis para gerar energia, já que eles contribuem para as mudanças climáticas. Também seria uma forma de garantir a geração de 3 milhões de empregos.

 

Segundo Ricardo Baitelo, coordenador da campanha de energias renováveis do Greenpeace, foram consultados especialistas de diversas instituições para a elaboração do relatório, como a Universidade de São Paulo (USP) e a União da Indústria da Cana-de-Açúcar.

 

No cenário da revolução energética, as hidrelétricas responderiam por 45,6% da matriz, a eólica por 20,3%, a biomassa por 16,6% e a solar por 9,26%. Considera-se que é possível aumentar até 2050, nesse quadro, em até três vezes a taxa de consumo de energia e em até 4% o PIB. E não haveria necessidade de usar termelétricas a carvão, óleo diesel ou usinas nucleares. O gás natural, considerado “fonte de transição”, corresponderia a 7,3% da matriz. A energia oceânica teria 0,77%.

 

Como comparação, o cenário que usa dados do governo, menos ambicioso, aponta que em 2050 a eólica seria 6% da matriz, a biomassa 8,85% e a solar, menos de 1%. A fonte hidrelétrica seria a maioria (56,3%), gás natural seria 15,9%, óleo combustível, 5,35% e nuclear, 5,31%.

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