BP usa argumento de recuperação do Golfo em para tentar diminuir custos com indenização

Empresa injetou dinheiro no turismo e agora diz que fórmula criada para indenização tem fator muito "generoso"

Com informações do The New York Times

15 Julho 2011 | 21h07

O Golfo do México vive dias que lembram os velhos tempos. Hotéis lotados e uma espera de duas horas para conseguir uma mesa no Original Oyster House. Os números confirmam: o turismo neste 2011está tendo seu melhor verão em anos.

Tanto que a British Petroleum (BP) sentiu-se obrigada a sugerir oficialmente em uma ação judicial que "não há base para supor que os requerentes, com exceções bem delimitadas, terão uma perda futura relacionada com o vazamento." A ação inclui uma lista detalhada dos indicadores da "força da economia do golfo."

A resposta possível é: alto lá, não está tão bom assim.

Desde o vazamanto, no ano passado, as notícias sobre a situação local têm sido confusas, com representantes de alguns ramos de negócio argumentando que o acidente continua a prejudicar a costa e que mais ajuda é necessária, e outros, muitas vezes liderados por instituições oficiais de turismo, enfatizando o lado positivo para atrair visitantes e consumidores. Isso não é exatamente contraditório, uma vez que os efeitos do acidente foram realmente desiguais.

A BP vem resolvendo a questão com a fórmula criada por Kenneth R. Feinberg, que supervisiona o Gulf Coast Claims Facility, que cuida da distribuição de fundos de indenização de US$ 20 bilhões. De acordo com a fórmula, as localidades, em geral, recebem o dobro das perdas demonstradas a partir de 2010.

A petrolífera agora defende que este "fator " é muito generoso. Esse argumento é revisitado em uma apresentação de 29 páginas que apontam os números da receita alta oriunda da hospedagem em áreas de turismo costeiro no outono e na primavera, a maioria superando os números calculados para os mesmos períodos em 2009 e 2010.

A empresa usa o mesmo argumento em relação ao desempenho de grande parte da indústria de frutos do mar, embora a apresentação dedique menos atenção a este setor - possivelmente porque as questões não resolvidas sobre os efeitos ecológicos a longo prazo do vazamento indiquem uma recuperação mais discutível.

Depois de meses de marketing agressivo, em grande parte pago com as dezenas de milhões de dólares que a BP enviou aos estados para esse propósito, as autoridades de turismo estão se gabando do quase recorde de números registrados em 2011: funcionários do turismo relatam taxas de ocupação que pairam perto de 100%, todos os acima - e alguns muito acima - do que foi registrado no mesmo período de 2009.

Até 90% da renda de muitas empresas da costa do Golfo é aferida durante junho, julho e agosto; no inverno o dinheiro desaparece e as empresas costumam usar as linhas de crédito para se preparar para o verão.

Era esse esquema que estava pronto para entrar em ação em 2010, ano foi projetado para ser uma recuperação depois de um 2009 complicado, por conta da recessão e dos altos preços da gasolina.

Mas em 2010 não houve verão. Hotéis com salas vazias, empresas de pequeno porte, como as de aluguel de cadeira de praia, foram abaixo; operadores de barco charters mal se aguentando nas pernas. O ciclo de gastar-guardar-emprestar foi por água abaixo.

"O que aconteceu no último inverno foi que um monte de credores cortaram as linhas de crédito porque não sabiam o impacto que o vazamento teria", disse Sheila Hodges, dona de uma imobiliária em Gulf Shores. "Nós quase não sobrevivemos ao inverno. Alguns não sobreviveram."

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