Boi pirata é arrematado por lance mínimo e Minc comemora

Lotes foram arrematados pelo valor inicial de R$ 1,260 mi no leilão eletrônico realizado pela Companhia Nacional

AE, Equipe AE

28 Agosto 2008 | 16h59

O Ministério do Meio Ambiente conseguiu, nesta quinta-feira, 28, em sua quarta tentativa, vender as 3.046 cabeças de gado apreendidas na Estação Ecológica da Terra do Meio, no município de Altamira no Pará. Os lotes foram arrematados pelo valor inicial de R$ 1,260 milhão no leilão eletrônico realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento. Houve apenas um lance pelos chamados bois piratas, que estavam divididos em sete lotes. Não foi divulgado o nome do comprador.   Veja também:  Ibama adia novamente leilão de bois piratas  Governo avalia usar 'boi pirata' para ações sociais   Para esse leilão, o Ibama reduziu ainda mais o valor dos lotes. A previsão era de que o lance mínimo hoje fosse de R$ 1,6 milhão, preço representa uma redução de 50% sobre o valor do primeiro leilão realizado pelo Ibama, que foi de R$ 3,15 milhões. O lance de hoje representa 41,3% do valor inicial. O deságio foi autorizado pelo desembargador federal Souza Prudente, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região.   Por meio de sua assessoria, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou que pecuaristas da região estavam fazendo "uma queda de braço" com o governo, promovendo um boicote que levou ao insucesso das primeiras tentativas de se leiloar o gado, "mas acabou prevalecendo o interesse ambiental, mesmo com a venda pelo preço mínimo".   Segundo Minc, "nosso objetivo não é vender boi nem ganhar dinheiro, mas proteger as unidades de conservação. Após a apreensão desses bois piratas, 36 mil outras cabeças de gado já foram retiradas, pelos donos, da estação ecológica e outras 20 mil de outra unidade de conservação, também na Terra do Meio. E outras ainda serão retiradas, porque nossa ação contra o boi pirata não vai parar."   Minc lembrou que agora, após assinatura de decreto regulamentando a Lei de Crimes Ambientais, pelo presidente Lula, o Ibama passou a ter direito ao chamado perdimento. Ou seja, ao se esgotar o processo administrativo, com direito de defesa dos acusados, o gado apreendido em qualquer unidade de conservação poderá ser vendido sem demora, com o dinheiro sendo aplicado em outras ações de combate a crimes ambientais. "O nosso ganho com essas operações não é financeiro, mas de combate à impunidade e de preservação do meio ambiente. Acabou a moleza, acabou a impunidade. Os proprietários que estejam criando gado em unidades de conservação terão que retirá-lo", disse o ministro.

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