BNDES aprova cinco projetos do Fundo Amazônia

Propostas vão desde monitoramento do desmate até recuperação de áreas degradadas

Bruno Calixto, Amazonia.org.br

13 Janeiro 2010 | 11h42

Principal aposta do Brasil para financiar a conservação da Amazônia, o Fundo Amazônia já recebeu 58 projetos que requisitam recursos.  Deles, cinco já foram aprovados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo.

 

Cerca de 52% dos projetos foram propostos por administrações públicas (governos municipais, estaduais ou federal),  32% dos projetos foram indicados pelo terceiro setor e 14% por empresas privadas.  Caso todos os projetos sejam aprovados, o Estado que mais receberá recursos é o Pará, grande campeão do desmatamento. Mais da metade dos projetos que aguardam aprovação tem o Estado como área de abrangência.

 

No total, serão destinados R$ 70,3 milhões aos cinco já aprovados pelo Fundo.  As propostas vão desde ações de monitoramento do desmate até recadastramento ambiental e recuperação de áreas degradadas.

 

Ana Cristina Barros, coordenadora do The Nature Conservancy (TNC) e que irá desenvolver um dos projetos já aprovados, analisa o Fundo Amazônia como uma iniciativa inovadora. Segundo a coordenadora da TNC, sem o recurso do fundo não seria possível desenvolver o projeto numa escala tão grande de atuação - 12 municípios em dois Estados. 

 

"Mas o grande diferencial é de onde vem o recurso, quem se torna parceiro da iniciativa.  Até poderíamos desenvolver esse tipo de projeto sem o financiamento do BNDES, mas teria um significado menor do que uma parceira com um banco público", explica.

 

O projeto

A proposta da TNC vai receber R$ 16 milhões para regularizar a produção fundiária em 12 municípios: cinco no Pará e sete em Mato Grosso.  "Antes de tudo, o projeto pretende esclarecer todo o processo para os atores locais.  A partir daí, faremos cadastro ambiental rural, georreferenciamento, tudo isso tendo as prefeituras e frigoríficos como parceiros", explica Ana.

 

O objetivo do projeto é permitir que os municípios possam se regularizar. Alguns deles constam, inclusive, na lista de maiores desmatadores e sofrem embargo do Ministério do Meio Ambiente.  "A gente espera que em até três anos eles estejam com mais de 80% de suas propriedades cadastradas, e portanto com um controle nominal do desmatamento, e livre da lista e embargo.  Isso vai permitir que o governo controle o desmatamento, e a cadeia produtiva vai poder comprovar a sua regularidade ambiental."

 

Segundo Ana Cristina, a assinatura do contrato com o Fundo Amazônia deve acontecer em fevereiro de 2010. Os outros quatro projetos já aprovados serão desenvolvidos por Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio), Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) e Instituto Ouro Verde.

 

Fundo Amazônia

O Fundo Amazônia capta recursos para investir em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento da Amazônia.  A Noruega foi o primeiro país a fazer doações ao fundo, e já se comprometeu a doar US$ 1 bilhão de dólares até 2015, desde que o governo brasileiro comprove que está conseguindo controlar o desmatamento da Amazônia, reduzindo os índices de devastação.

 

Saiba mais sobre os projetos:

 

TNC

Financiamento: R$ 16 milhões

Abrangência: Pará e Mato Grosso

Efeitos Esperados:

- Auxílio à gestão ambiental e territorial municipal e estadual, abrangendo 12 milhões de hectares e uma população de 163 mil habitantes (total dos 12 municípios);

- Mobilização dos proprietários rurais para que promovam o cadastro ambiental rural tendo em mãos o perfil ambiental de sua propriedade.

 

Funbio

Financiamento: R$ 20 milhões

Abrangência: Toda a Amazônia

Efeitos Esperados Combater e prevenir o desmatamento a partir da:

- criação 13,5 milhões de hectares de Unidades de Conservação (UC);

- consolidação de 32 milhões de hectares de UC, dos quais 6,5 milhões de hectares em unidades de conservação já existentes, mas ainda não contempladas pelo Programa e 25,5 milhões de hectares de UC criadas pelo Programa.

 

FAS

Financiamento: R$ 19,2 milhões

Abrangência: Amazonas

Efeitos Esperados Prevenção e contenção do desmatamento em Unidades de Conservação do Estado do Amazonas, por meio:

- do incentivo às atividades econômicas sócio-ambientalmente sustentáveis;

- do fortalecimento da associação de moradores de Unidades de Conservação no Estado do Amazonas;

- da geração de renda baseada em atividades sustentáveis;

- da melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais que vivem na floresta.

 

Imazon

Financiamento: R$ 9,7 milhões

Abrangência: Pará Efeitos Esperados

- Auxílio à gestão ambiental e territorial municipal e estadual, abrangendo 6,6 milhões de hectares e uma população de 482 mil habitantes (total de 11 municípios);

- Mobilização dos proprietários rurais para que promovam o cadastro ambiental rural tendo em mãos o perfil ambiental de sua propriedade.

 

Instituto Ouro Verde

Financiamento: R$ 5,4 milhões

Abrangência: Mato Grosso

Efeitos Esperados:

- Promover a recuperação ambiental de 1.200 hectares de áreas degradadas;

- Promover o resgate da agricultura familiar em seis municípios que fazem parte do Território Portal da Amazônia, através da difusão de sistemas agroflorestais, que combinam o uso sustentável da floresta com geração de renda;

- Capacitar a comunidade indígena Terena para coletar as sementes que serão utilizadas nos sistemas agroflorestais.

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