'Big brother' animal monitora estresse de lobo-guará no zoo

Oito câmeras gravam ininterrupdamente movimentos de quatro mamíferos para estudar influência da visitação no comportamento

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

19 Janeiro 2015 | 15h04

SOROCABA - Oito câmeras de vídeo gravam ininterruptamente os movimentos de quatro lobos guarás - um casal e dois filhotes - que vivem no Zoológico Municipal Quinzinho de Barros, em Sorocaba, no interior de São Paulo. O "big brother" animal faz parte de uma pesquisa inédita no Brasil, segundo a prefeitura, em busca de informações sobre a influência da visitação no comportamento dos animais. O resultado pode levar o zoo de Sorocaba e outros zoológicos brasileiros a limitar o número de visitantes para reduzir o estresse dos bichos.

De acordo com o veterinário Rodrigo Teixeira, diretor do zoo, os gestores de zoológicos já discutem a fixação de um limite para a presença de visitantes nesses locais em nome do conforto dos animais cativos.

"Quantas pessoas cabem num zoológico num domingo de sol? Com essa pesquisa teremos informações técnicas para chegar a um número que seja bom para os animais e para a equipe técnica que cuida deles", explicou Teixeira.

O trabalho científico, a cargo da pesquisadora Angélica Vasconcelos, professora da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG), é financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (Fapemig). A fase de campo se encerra nesta semana, mas a análise das imagens e a complementação da pesquisa devem levar dez meses.

As câmeras cobrem os 250 m² da área de exposição dos lobos-guarás e o dormitório, com 16 m². Um equipamento adicional monitora e contabiliza os visitantes. As câmeras são dotadas de contadores de decibéis, o que permitirá avaliar também a influência do barulho no comportamento dos espécimes.

Ameaçado de extinção na natureza, o lobo-guará está entre os bichos mais sensíveis às inconveniências do cativeiro. Por isso, além da observação, será pesquisada a presença de cortisol nas fezes dos animais.

De acordo com Teixeira, a medição do nível dessa substância no organismo do lobo permite avaliar se ele está mais ou menos feliz em seu recinto. A análise vai indicar, por exemplo, se o lobo ficou estressado após um fim de semana de visitação intensa.

O zoo de Sorocaba foi pioneiro em reprodução do lobo-guará em cativeiro e desde o final dos anos 1980 contribui para o Plano de Ação Nacional para Conservação do Lobo-Guará do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Os dois filhotes que, com os pais, são objeto da pesquisa, nasceram no zoo no ano passado.

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