BASIC propõe fundo para países pobres

Além da ajuda financeira, Brasil, África do Sul, Índia e China tentarão encontrar um padrão comum para suas metas de emissão

Reuters

21 Janeiro 2010 | 15h50

O Brasil vai propor um fundo conjunto com a China, a Índia e a África do Sul para ajudar os países pobres a se adaptarem ao aquecimento global, como parte de uma iniciativa de reavivar as negociações globais sobre o clima.

 

O Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc disse numa entrevista na quarta-feira (20) que ele faria a proposta em um encontro envolvendo as quatro nações emergentes neste final de semana, em Nova Délhi.

 

 “A proposta é ajudar os países muito pobres a se adaptarem às mudanças climáticas”, disse Minc, acrescentando que a China já expressou interesse no projeto. A proposta é uma tentativa de injetar novo ânimo nas negociações sobre o clima depois que o encontro de Copenhague falhou em produzir um acordo abrangente e definitivo. Brasil, África do Sul, Índia e China – um grupo que vem sendo chamado de BASIC – fecharam um acordo não vinculativo com princípios básicos, juntamente com os EUA, em Copenhague.

 

Entretanto, alguns países pobres disseram que as nações ricas e industrializadas não estavam oferecendo cortes de emissões suficientes e expressaram temores de que não receberiam tecnologia e recursos suficientes para enfrentar as mudanças climáticas.

 

O encontro de Nova Délhi deve procurar prover soluções concretas para as nações pobres, mas também salientar a necessidade dos países ricos – particularmente os EUA – fazerem mais pela questão do clima.

 

 “Os recursos que nós alocaremos servirão para chamar atenção dos países ricos sobre como eles vêm fugindo as suas responsabilidades”, disse Minc.

 

Os países ricos prometeram US$ 30 bilhões para o fundo do clima para o período de 2010 a 2012 e estipularam uma meta de US$ 100 bi até 2020, muito menos do que os países em desenvolvimento queriam.

 

Minc disse que a incapacidade do Senado Americano em aprovar uma lei climática vai ameaçar as chances de um acordo pós-Copenhague este ano e abalar a liderança do presidende norte-americano Barack Obama na questão climática.

 

O future da lei parece incerto depois que os Democratas perderam uma vaga no senado, referente ao estado de Massachusetts.

 

 “Isso vai dificultar as coisas mais para frente”, disse o Ministro. Como a COP-15 falhou no estabelecimento de um caminho a seguir, grupos como a União Européia e o BASIC têm de ter posições unificadas para acelerar as negociações entre eles, completou Minc.

 

Segundo Minc, Brasil, África do Sul, Índia e China tentarão encontrar um padrão comum para suas metas de emissão utilizando o mesmo sistema de mensuração. O Brasil tentará reduzir suas emissões em 39% até 2020, enquanto a China prometeu cortar a quantidade de dióxido de carbono produzida por cada unidade de crescimento econômico em 40% a 45% no mesmo período.

 

TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA

 

As nações que compõem o BASIC também vão procurar uma posição comum para transferência de tecnologia. Minc propõe medidas para criação de parcerias nas quais os países pobres não serão apenas providos de acesso à tecnologia, mas receberão assistência para aplicá-la corretamente.

 

Países como Austrália, Canadá e Estados Unidos deveriam prover imediatamente países como China e Índia com tecnologias para depositar carbono no subsolo, disse o ministro brasileiro.

 

“Os países ricos cobram redução de emissões do BASIC e nós estamos dizendo ‘sim’, mas eles terão de nos prover com o que há de mais moderno em termos tecnológicos”, afirmou Minc.

 

O Brasil oferece imagens de satélite para que países da América Latina e da África possam mensurar a destruição da floresta tropical, o que contribui com mais de 20% das emissões mundiais de carbono.

 

De acordo com o Ministro, o País também pode transferir know-how no gerenciamento de recursos hídricos e tecnologia para produção e uso de etanol como combustível automotivo.

 

Ele acrescenta que o Brasil vai gastar 20% do seu Fundo Amazônia em projetos em países vizinhos.

 

O fundo foi lançado no ano para promover o desenvolvimento sustentável e a pesquisa científica na maior floresta tropical do planeta.  Os primeiros projetos forma aprovados no mês passado.

 

A Noruega prometeu US$ 1 bilhão para o Fundo até 2015 e a Alemanha US$ 26 milhões. Minc afirmou que três outros países da EU irão anunciar doações em breve.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.