Autoridade dos EUA afirma que China ignora acordo climático

O principal enviado dos Estados Unidos para o clima, Todd Stern, acusou a China na sexta-feira de tentar enfraquecer os compromissos assumidos pelos chineses com relação aos cortes das emissões de gás-estufa na última rodada de conversações internacionais sobre mudança climática.

AYESHA RASCOE, REUTERS

08 Outubro 2010 | 16h46

Stern afirmou que a China -- que ultrapassou os EUA como o maior emissor de gases que provocam o aquecimento do clima -- precisa honrar as promessas feitas no Acordo de Copenhague, no ano passado, e que o país em desenvolvimento precisa ser tratado como outros grandes poluidores.

Os negociadores chineses "têm agido quase como se o acordo nunca tivesse acontecido, insistindo em compromissos legalmente vinculantes para os países desenvolvidos e ações puramente voluntárias mesmo para os mercados emergentes", disse Stern em comentários preparados para um discurso na Universidade de Michigan.

No acordo, a China estabeleceu como meta cortar a quantidade de carbono produzido por unidade de produção econômica de 40 a 45 por cento dos níveis de 2005. Essa meta de "intensidade de carbono" permitiria o crescimento das emissões, mas num ritmo menor do que o crescimento econômico.

Os comentários de Stern, enviado do Departamento de Estado norte-americano para mudança climática, ocorrem menos de dois meses antes da próxima reunião climática do alto escalão em Cancún, no México.

Negociadores internacionais reuniram-se na cidade chinesa de Tianjin esta semana para tentar estabelecer as bases para um novo acordo global para o clima no ano que vem. No entanto, as negociações empacaram à medida que a China divergiu dos países mais desenvolvidos sobre a divisão de responsabilidade nos cortes das emissões de gases-estufa.

O representante da China nas conversações afirmou na sexta-feira que os negociadores estavam perdendo a confiança entre si.

"Estamos todos preocupados com a lentidão de nossas negociações", afirmou o representante, Huang Huikang.

No começo da semana, a China afirmou que não iria se curvar à pressão para apresentar mais cortes obrigatórios nas emissões.

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