Aumentam invasões em reservas indígenas de Mato Grosso e Maranhão

Desmatamento também aumentou, afirma relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi)

Agência Brasil

01 Julho 2011 | 11h48

Entre agosto de 2010 e abril, cem reservas indígenas e 20 áreas de preservação foram invadidas para retirada de madeira em Mato Grosso e no Maranhão, segunda a coordenadora do Relatório Violência contra os Povos Indígenas no Brasil, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Maria Helena Rangel.

 

De acordo com Maria Helena, nesses dois Estados houve uma “explosão de desmatamento”, possivelmente motivada pela votação do novo Código Florestal pela Câmara dos Deputados. “Há uma relação direta entre as mudanças previstas no código e o aumento do desmatamento. Tem gente querendo criar fatos consumados para poder receber anistia. É um ato de vandalismo, de barbárie.”

 

Para a coordenadora do relatório, o Maranhão tem uma situação mais complicada ainda, pois as áreas onde ainda há floresta estão localizadas dentro de terras indígenas. “Essas áreas têm sido alvo constante (de invasores). Tem gente que entra na área atirando, provocando desentendimento, criando uma desordem.”

 

O relatório aponta que as ocorrências de violência e violações aos direitos contra os povos indígenas continuam ocorrendo frequentemente. Pelo terceiro ano consecutivo, o número de assassinatos chega a 60.

 

Segundo o estudo, 34 mortes ocorreram em Mato Grosso do Sul, o que representa 56% do total. “Tudo continua igual. Temos denunciado como uma situação de genocídio os ataques ao povo Guarani-Kaiowá”, disse Maria Helena.

 

Outro ponto destacado no relatório é a vulnerabilidade das comunidades indígenas que vivem isoladas. De acordo com dados do Cimi, há hoje 90 comunidades isoladas no País, concentradas principalmente na região amazônica.

 

Segundo o estudo, os territórios desses povos foram invadidos, ocupados e explorados. Além disso, essas comunidades estão em perigo de extinção.

“Podemos afirmar que os Poderes brasileiros, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, atuam contra a população indígena no país. Há uma tendência em desconhecer, menosprezar e desrespeitar os indígenas no país”, assinalou Maria Helena.

 

Segundo o presidente do Cimi, dom Erwin Kräutler, o relatório tem como objetivo mostrar a violência contra os povos indígenas. “O Brasil sempre quer primar pela defesa dos direitos humanos, mas infelizmente ainda temos muitas as violações de direitos dos povos indígenas.”

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