Atividade agrícola molda biodiversidade segundo projeto

Tese de doutorado da USP analisou paisagem agrícola no Estado de São Paulo desde 1850

O Estado de S. Paulo

05 Junho 2015 | 03h00

A atividade agrícola, ao longo do tempo, tem sido fundamental para determinar a estrutura da paisagem e, por consequência, moldar a biodiversidade. Essa foi a conclusão central de um projeto temático de pesquisa que, entre 2008 e 2013, analisou o processo histórico de mudança da paisagem agrícola no Estado de São Paulo a partir de 1850.

O coordenador do projeto, Luciano Verdade, da Universidade de São Paulo (USP), destaca a tese de doutorado de Maria Aparecida Lisboa, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que analisa na região de Angatuba processo que ocorreu de forma generalizada em áreas do interior paulista. 

Ela conta que a paisagem foi profundamente mudada a partir de 1870, quando a floresta foi fragmentada para dar lugar a plantações de café e algodão. “Com a crise de 1929, as áreas de cultivo foram abandonadas e ocorreu processo de ‘revegetação’. Ao ver um fragmento de Mata Atlântica, achamos que ele esteve sempre ali, mas as transformações foram muitas.”

Só a partir de 1970, com impulso para fomentar a agropecuária, a mata começou a ser substituída por pastos. “Já no início do século 21, a produção de papel e celulose, mais competitiva do que a pecuária, impulsionou nova conversão dos pastos em florestas de eucalipto”, disse Verdade. Enquanto isso, os vários ciclos da cana-de-açúcar permeavam o processo.

Com as transformações, muitas espécies não conseguiram manter seu hábitat. Mas, para outras, surgiu a oportunidade de colonizar novos territórios. “Naquela região, temos mais áreas de conservação agora do que em 1870. Ainda temos ali 60% das espécies de aves originais e seis de grandes felinos. Só a onça-pintada desapareceu.”

Segundo o pesquisador, algumas espécies não ficaram limitadas à mata nativa e mostraram capacidade de utilizar a paisagem de forma mais abrangente. “Quando passamos a observar o que ocorre com as espécies em uma escala temporal ampla, considerando a paisagem em sua totalidade, compreendemos que é preciso usar as plantações de forma multifuncional, com manejo capaz de conciliar produção e conservação.”

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