Aquecimento do Ártico pode ser permanente, diz estudo

Efeito pode ser uma intensificação das tempestades e nevescas que atingem EUA e Europa no inverno

REUTERS, REUTERS

21 Outubro 2010 | 17h56

Os sinais da mudança climática estão por todo o Ártico neste ano - ar mais quente, menos gelo sobre o mar, geleiras derretendo-se - o que provavelmente significa que essa região, onde parte do clima mundial nasce, não retornará a seu estado mais frio anterior, informa cientistas.

 

Em uma avaliação internacional do Ártico, pesquisadores dos Estados Unidos, Canadá, Rússia, Dinamarca e outros países escrevem que "retorno às condições prévias do Ártico é improvável".

 

As condições do Ártico são importantes porque exercem um efeito poderoso sobre o clima nas latitudes intermediárias do hemisfério norte.

 

As pesadas nevascas nos Estados Unidos, norte da Europa e oeste da Ásia no último inverno boreal estão ligadas às temperaturas atmosféricas mais elevadas no Ártico, descobriram os cientistas.

 

"O inverno 2009-2010 mostrou uma nova conectividade entre o frio extremo das latitudes médias e os eventos climáticos de neve e mudanças no padrão de ventos do Ártico, o chamado Padrão Ártico Quente/Continentes Frios", diz o relatório,  emitido pela Administração Nacional de Atmosfera e Oceano (NOAA) dos Estados Unidos.

 

Os cientistas encontravam evidências amplas de aquecimento do Ártico, com temperaturas do ar junto à superfície aumentando acima das médias globais com o dobro da velocidade das latitudes menores, afirmou Jackie Richter-Menge, do Laboratório de Engenharia e Pesquisa de Regiões Geladas do Exército Americano.

 

Parte da razão para isso é um processo chamado amplificação polar. Ar quente derrete a neve branca que deveria refletir a luz do Sol, revelando material mais escuro, que absorve calor e amplia o aquecimento.

 

Normalmente, o ar gelado fica aprisionado no Ártico durante os meses de inverno, mas em 2009 e no início de 2010, potentes ventos sopraram o ar mais frio do norte para o sul, rompendo o padrão mais comum de oeste para leste, disse o oceanógrafo Jim Overland, da NOAA.

 

Ele vê isso como um elo entre o Ártico mais quente, com menos gelo sobre o mar e o clima nas latitudes mais baixas. Overland sugere que o fenômeno deverá se tornar mais comum à medida que o gelo continua a derreter.

 

"É um certo paradoxo quando se tem um aquecimento global na atmosfera que na verdade pode criar mais tempestades de inverno", disse ele. "Aquecimento global não é apenas mais calor em toda parte... ele cria essas complexidades".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.