Lucas Jackson/Reuters
Lucas Jackson/Reuters

Ambientalistas pedem mudanças urgentes em hábitos de consumo

Documento assinado por referências na área ambiental alerta para efeitos negativos já visíveis causados pelas mudanças climáticas

Fernando Arbex, O Estado de S. Paulo

15 Setembro 2014 | 05h00

Pesquisadores de diferentes lugares do mundo são unânimes em constatar: as consequências do aquecimento global são reais, e não mais previsões. Sob este argumento, formularam um "Alerta", publicado na edição desta segunda-feira, dia 15, do jornal norte-americano The New York Times.

O "Manifesto Internacional" - organizado pela Fundação Europeia do Meio Ambiente - colheu 160 assinaturas em apelo que visa influenciar a Cúpula do Clima da ONU, que terá inicio em Nova Iorque no dia 23. O encontro deve desenhar decisões a serem sancionadas na Conferência do Clima da ONU marcada para dezembro de 2015, em Paris.

O apelo dos pesquisadores é para que líderes globais iniciem imediatamente processo de mudança de hábitos de consumo e priorizem a utilização de fontes de energia limpa, em substituição aos combustíveis fósseis. Ganhador do prêmio Unep-Sasakawa da ONU por sua atuação em defesa da biodiversidade, o brasileiro Dener Giovanini é um dos signatários do manifesto.

"Pela primeira vez se reuniu em um documento único aquelas pessoas que o mundo reconhece que têm um trabalho importante na área ambiental. Esse fato é inédito", afirmou o pesquisador brasileiro ao Estado, utilizando um tom de urgência. "As principais lideranças ambientais do mundo concordam em um ponto: a gente deve encarar o problema do aquecimento global como real e que já está batendo às portas. Já não estamos mais fazendo previsões", disse Giovanini.

Um exemplo concreto dado pelo ambientalista é o da prolongada estiagem no Estado de São Paulo. Além da falta de água em residências paulistanas em alguns momentos do dia, a população é diretamente prejudicada pela paralisação da Hidrovia Paraná-Tietê, utilizada em território paulista para o transporte de carga e alimentos. Em razão disso, produtos chegam encarecidos às prateleiras porque há um custo maior quando o translado é feito por caminhões.

O agravante, segundo o ambientalista, é o ciclo vicioso que esse cenário representa, uma vez que mais combustíveis fósseis são utilizados nas vias rodoviárias e mais agredido o meio ambiente é. "A palavra mais falada hoje é 'sustentabilidade', mas, infelizmente, é ela a que menos colocam em prática", queixa-se Giovanini.

Marco nas discussões envolvendo um modelo global menos nocivo ao meio ambiente, o Protocolo de Kyoto foi assinado em 1997, mas nunca colocado efetivamente em prática. "É preciso haver uma mudança de paradigma mundial, o que necessariamente significa sacrifício. O que se vê hoje é a tentativa de empresas e governos de vender produtos apenas com uma nova roupagem, o que é enganar a população", afirmou o ambientalista.

Giovanini prevê que os países ainda em desenvolvimento serão os mais contrários a qualquer mudança no modelo atual nas próximas discussões, pois vêm de práticas agressivas ao meio ambiente suas maiores fontes de renda. A crítica se estende ao Brasil, que lucra no mercado internacional principalmente pela venda de commodities como a soja, plantio que ganha espaço em território nacional por meio do desmatamento de reservas ambientais.

"O Brasil historicamente assume uma postura de se colocar 'em cima do muro'. A gente espera que o nosso próximo governante encare esse problema", disse o pesquisador, que entende que a responsabilidade do País é ainda maior por ser um espelho para nações menores como, por exemplo, as da África, as quais compartilham a características de se destacarem pela biodiversidade.

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