Alemanha quer cortar subsídio para energia solar

Para baixar o custo da energia para o consumidor, governo propõe corte de 15% nos incentivos às empresas geradoras de energia solar

Reuters

27 Janeiro 2010 | 17h37

Líderes conservadores do leste da Alemanha criticaram os planos do governo de cortar os subsídios para empresas geradoras de energia solar, salientando que os cortes poderiam destruir muitos empregos nos estados da ex-Alemanha Oriental.

 

Reiner Haseloff, secretário de economia do estado de Saxony-Anhalt e líder regional dos Cristãos Democratas (partido da Chanceler Angela Merkel) disse, depois de um encontro oficial de políticos do leste do país, que as propostas do Ministro do Meio Ambiente Norbert Roettgen eram prematuras e estavam indo longe demais.

 

“Nós temos uma visão diferente aqui”, disse Haseloff, referindo-se ao corte de 15% proposto para vigorar a partir de 1° de abril. “Em uma crise como a de 2010, seria um fardo muito grande para o setor”.

 

Ele afirma que o corte de incentivos muito rapidamente iria causar danos à indústria, o que agravaria o problema do desemprego nos estados da ex-Alemanha Oriental, onde as taxas de desemprego já são duas vezes mais altas do que no resto do País.

 

 “Se alguém está aprendendo a nadar e você tira todo o ar das bóias que o sustentam, ele pode se afogar”, diz Haseloff, usando uma metáfora.

 

Na última semana Roettgen disse que queria um corte de 15% nas chamadas “tarifas de manutenção” para novos telhados montados com painéis de energia solar a partir de abril - essas taxas já caíram 10% em janeiro. As “tarifas de manutenção” são valores que o estado paga obrigatoriamente às empresas que geram energia renovável.

 

O corte significaria que o preço garantido por quilowatt/hora para os novos sistemas instalados cairia de 39 centavos para 33 a partir de Abril, depois de terem caído de 43 centavos para 39 em janeiro.

   

 CORTES MODESTOS

 

As chamadas “tarifas de manutenção” são um tremendo empurrão para o setor, uma vez que a paridade entre o custo da energia renovável e o da energia gerada com base em combustíveis fósseis ainda não é realidade.

 

Haseloff disse que faria mais sentido ter dois cortes mais modestos na segunda metade do ano do que um corte grande de 15% em abril. Ele disse que Roettgen demonstrou boa vontade para discutir o assunto.

 

O gabinete de Merkel deverá discutir a proposta de Roettgen no início de fevereiro. Os planos do Ministro do Meio Ambiente levaram a protestos da indústria. Algumas companhias alertaram que a medida coloca postos de trabalho em risco num setor que tem conseguido crescimento significativo na última década.

 

Ainda assim, grupos de consumidores e líderes da coalisão de centro -direita que sustenta Merkel querem cortes mais amplos nas tarifas.

 

 Os consumidores pagam uma taxa extra de 3% ao mês em suas contas de energia por conta dos incentivos às empresas produtoras de energia solar.

 

Os cortes dos subsídios governamentais vão acarretar um peso extra para companhias como a Q-Cells, Phoenix Solar e Solar World, que dependem da demanda da Alemanha, o maior mercado do mundo de energia solar em termos de capacidade instalada.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.