Alemães contestam Angra 3

ONGs colheram 125 mil assinaturas contra concessão de crédito de exportação para a Areva; no Brasil, Senado assina TAC com Eletronuclear

Karina Ninni, com agências, estadao.com

07 Julho 2011 | 15h42

Três ONGs alemãs fizeram nesta quarta-feira, 6, um protesto próximo à Chancelaria, em Berlim, para entregar 125 mil assinaturas contra o crédito de exportação para Angra 3, prevista para começar a operar em Angra dos Reis (RJ) em 2015. Os manifestantes também pediam informações sobre os resultados das conversas do governo alemão com o governo brasileiro. A ideia era entregar as assinaturas diretamente ao Ministro da Economia, mas não foi possível.

 

"Organizamos encontros com parlamentares e com a imprensa informando-os sobre os problemas de Angra 3", diz Barbara Happe, da ONG Urgewald, que lidera as pressões contra o o apoio alemão para projetos nucleares. Depois do acidente de Fukushima, a Alemanha decidiu desativar totalmente seus 17 geradores nucleares até 2022. "Então, argumentamos que seria lógico também deixar de apoiar a energia nuclear no exterior."

 

Segundo Happe, o governo alemão está em conversas com o governo brasileiro sobre as garantias para Angra 3. A cada seis meses, a garantia de crédito de exportação concedida para a Areva NP, que irá fornecer equipamentos à Eletronuclear, tem de ser renovada."Agora, em julho, tem que ser renovada mais uma vez. Defendemos agora que o governo alemão, com a nova política adotada na área da energia nuclear, não pode mais renovar o contrato."

Enquanto isso, no Brasil, o Senado assinou na terça-feira, 5, um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a Eletronuclear, no âmbito da Comissão de Meio Ambiente, Defesa do Consumidor e Fiscalização e Controle (CMA), para o aprimoramento da segurança das usinas nucleares de Angra dos Reis. No dia 8 de abril, uma comissão provisória da CMA visitou as instalações das usinas de Angra 1 e 2 e as obras de Angra 3, no município.

O relatório da visita foi apresentado na reunião da comissão e, com base nele, foi acertado o termo de ajustes.

O TAC prevê medidas como a adoção de um sistema para prevenir alagamento nos geradores a diesel de emergência e a construção de uma pequena usina hidrelétrica para fornecimento de energia em situações críticas. A Eletronuclear também deve construir um píer para facilitar a evacuação por via marítima, em caso de acidente nuclear, e deve cooperar com a Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) para a implantação de depósito de rejeitos radioativos.

A CMA deverá entrar em contato com o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) para pedir a duplicação da BR-101 (Rio-Santos), no trecho que passa por Angra dos Reis e serve de rota de evacuação, em caso de necessidade.

O governo alemão ainda não prolongou a garantia do crédito de exportação, "mas isso provavelmente vai ser feito nas próximas semanas", admite Barbara Happe. Os protestos na Alemanha coincidem com a ascensão do Partido Verde no país, que nas pesquisas de opinião aparece a apenas 10 pontos percentuais da coalisão que apoia Ângela Merkel. Atualmente, os verdes têm 23% da preferência do eleitorado enquanto a coalisão de Merkel tem 33%. Logo após o acidente de Fukushima, o apoio ao Partido Verde chegou a 28%.

"A ascensão dos verdes é muito séria, e está aqui para ficar'', disse Jan Techau, diretor do Carnegie Endowment for International Peace, em Bruxelas, e um ex-analista do Conselho Alemão de Relações Exteriores.

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