Zsolt Szigetvary/EFE
Zsolt Szigetvary/EFE

Aldeias húngaras afetadas pela lama não são mais habitáveis

Diretor de Toxicologia do Hospital de Budapeste diz que será impossível viver nas localidades

EFE, EFE

13 Outubro 2010 | 16h10

Viver nas aldeias afetadas no oeste da Hungria pela avalanche tóxica de "lama vermelha" não é mais possível, afirmaram vários especialistas e organizações ambientais que advertiram sobre os efeitos nocivos da contaminação da terra e do ar.

 

"Deveríamos ter a coragem de dizer que é impossível viver nas duas localidades", disse Gábor Zacher, médico diretor da Toxicologia do hospital de Budapeste.

 

As localidades de Kolontár e Devecser, a 160 quilômetros ao sudoeste de Budapeste, foram as mais afetadas pela lama tóxica que vazou de uma represa da fábrica de alumínio MAL, causando nove mortes e mais de 150 feridos.

 

 Zacher explicou que a longo prazo é preciso considerar que os tóxicos "permanecerão na terra, nas plantas e animais".

 

Com relação às substâncias químicas que estão envenenando a terra e o ar da região, Zacher reconheceu que "não se pode dizer nada muito concreto sobre os efeitos de longo prazo, já que não existem casos similares".

 

 Em todo caso, advertiu que as partículas do alumínio, cuja concentração na lama é muito alta, podem chegar até o mais profundo dos pulmões, causando infecções.

 

O níquel pode causar outras doenças como asma, pneumonia e outros males crônicos, enquanto o ferro ataca os pulmões.

 

Diante desse perigo, as autoridades ordenaram há dois dias o uso obrigatório de máscaras e óculos protetores na região afetada, onde está sendo reconstruída a infraestrutura devastada e erguendo um muro de contenção por causa da possibilidade de uma segunda avalanche de lama tóxica.

 

A porta-voz de Defesa Civil, Gyorgyi Tottos, explicou que diante da agressividade das substâncias derramadas, os operários pediram hoje que suas máscaras sejam mudadas a cada duas horas.

 

 Neste sentido, Gergely Simon, da organização meio ambiental Clean Air Action Group, explicou que o mercúrio inalado poderia causar graves problemas à saúde.

 

E como se isto não fosse o bastante, o bom tempo, sem chuvas, poderia fazer com que o pó tóxico se disperse em um raio de10 a 15 quilômetros, alertou Simon.

 

O analista lamentou a não publicação, até agora, dos resultados das pesquisas oficiais das autoridades, para determinar quais são as tarefas mais necessárias e urgentes.

 

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e a União Europeia (UE) enviaram aos povoados afetados equipes de analistas que averiguarão os possíveis impactos a curto e longo prazo da catástrofe, além de ajudar as autoridades locais a elaborar um plano preventivo.

 

No hospital de Ajka morreu hoje a nona vítima da catástrofe, uma pessoa idosa, oriunda de Kolontár.

Em diferentes instituições de saúde do país há ainda meia centena de hospitalizados, principalmente com queimaduras e traumatismos causados pela violência da onda.

   

Árpád Tóth, médico diretor de um hospital de Veszprém, explicou que os doentes internados nesta instituição não estão em perigo de vida, embora quatro ou cinco terão de ser submetidos a procedimentos de cirurgia plástica.

 

O diretor de MAL, Zoltán Bakonyi, detido nesta semana sob a acusação de negligência, foi libertado nesta quarta, já que a promotoria não pôde argumentar de forma convincente as acusações.

 

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse na segunda-feira que o episódio foi consequência de um erro humano e que os responsáveis seriam "castigados severamente".

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