Acordo de Copenhague não conterá aquecimento nos 2º C

Promessas dos países envolvidos devem ser confirmadas até domingo e não atingem o mínimo necessário

Alister Doyle, Reuters,

29 Janeiro 2010 | 13h59

O planos apresentados pelas principais economias do mundo para combater a mudança climática, sob o chamado Acordo de Copenhague, não são suficientes para evitar que as temperaturas globais excedam os 2º C acima de níveis pré-industriais, disse um importante especialista.

 

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O acordo, negociado numa cúpula realizada no mês passado na capital dinamarquesa, define a data de 31 de janeiro para que os países informem como pretendem conter suas emissões de gases causadores do efeito estufa até 2020, para ajudar a manter o aquecimento abaixo dos 2º C.

 

A elevação de dois graus é considerada a maior onde ainda seria possível evitar consequências graves como desertificação, enchentes, extinções em massa e elevação do nível dos mares. No último século, já foi registrado um aquecimento de 0,7º C.

 

"Do que estamos vendo agora, está muito longe dos 2º C", disse Niklas Hoehne, diretor de energia e política climática da consultoria Ecofys.  Ele afirmou que a previsão, feita em meados de dezembro pela Ecofys e parceiros, de que as temperaturas subiriam 3,5º C está parecendo cada vez mais realista.

 

Emissores de CO2 industrializados, como os EUA, União Europeia, Japão e Austrália limitaram-se a reafirmar as metas apresentadas antes de Copenhague. Grandes economias em desenvolvimento, como China e Índia, também não mostraram maior ambição.

 

Um problema é o fato de que a pressão por metas mais duras arrefeceu, diz Hoehne. "Esta é a principal frustração de Copenhague, a pressão para o alinhamento nos 2º C não existe mais", afirmou.

A meta do acordo de Copenhague, de limitar o aquecimento a menos de 2º C acima dos níveis anteriores à revolução industrial, estava acompanhada da meta de ceder US$ 10 bilhões ao ano, de 2010 a 2012, para ajudar países pobres a enfrentar os problemas causados pela mudança climática.

 

 O valor subiria até US$ 100 bilhões ao ano a partir de 2020.

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