59% da vegetação sofreu transformação

É preciso conter a devastação para poder aproveitar riqueza de recursos

Giovana Girardi,

02 Julho 2008 | 23h57

Para aproveitar os recursos da caatinga é preciso, antes de mais nada, conter a devastação, afirmam os especialistas. De acordo com estudos coordenados pelo pesquisador Washington Rocha, da Universidade Estadual de Feira de Santana, 59% da vegetação original já sofreu transformação.    Biomanta ajuda a resgatar áreas degradadas  Matas podem arder em fornos de siderúrgicas  Projetos evitam o desperdício de água  Bioma em pé rende US$ 20 bi  Referência mundial  Semi-árido tem saída até contra a fome  Unir sustentabilidade e preservação é desafio  Área protegida beneficia a pesca  Criação de reserva privada colabora com biodiversidade  Incentivo para conservar  Florestas de eucalipto substituem campos  Muito além da Amazônia   Galeria de fotos   Os biomas brasileiros  "Cumprimento das legislação pelos proprietáros rurais não é o suficiente para preservação"  "É mais fácil lutar por um ecossistema com a ajuda da sociedade"   O número apresentado por Rocha é superior ao fornecido pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), que encomendou o estudo e considera que o índice é 36%. "Para nós, 41% são núcleos autenticamente remanescentes. O número adotado pelo governo agrega parte da cobertura com fortes indícios de antropização (influência humana)", diz Rocha.   Segundo ele, até por causa do preconceito de se considerar a área limitada, não foram criadas estratégias de conservação. Só 1,8% do território é protegido por unidades federais de proteção integral. "Há várias regiões com espécies endêmicas raras que não são preservadas. Esse estigma prejudicou e prejudica até hoje a região. A caatinga nem sequer é considerada patrimônio nacional pela Constituição."   Um dos resultados do desmate é o agravamento do processo natural de desertificação do semi-árido. "O uso intensivo do solo cria processos não controláveis de erosão, a cobertura vegetal não se reinstala mais", explica. Essa situação já ruim pode ser piorada pelo aquecimento global, cuja tendência é diminuir as chuvas, podendo transformar o semi-árido em deserto. A manutenção da mata remanescente, por outro lado, pode ajudar a segurar o avanço.   De acordo com o pesquisador, algumas áreas que vêm sendo desmatadas com mais intensidade merecem atenção, em especial uma região compreendida entre Piauí, Bahia e Ceará, derrubada para alimentar o pólo gesseiro de Pernambuco (responsável por abastecer quase o Brasil inteiro). "Assim como o cerrado de Minas foi desmatado para servir de combustível para a indústria siderúrgica", compara Rocha. "Com o agravante de que a caatinga tem uma capacidade menor de recuperação." Sem nenhum projeto de sustentabilidade, esse processo vem ocorrendo ao longo dos últimos cem anos.   A ameaça também vem da frente agrícola, que avança para a caatinga nas regiões de fronteira com o cerrado, que são mais propícias para a soja. Em outros pontos, a derrubada ocorre para o plantio de mamona, por causa da emergência dos biocombustíveis.

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