EFE/NASA/NOAA GOES Project/
EFE/NASA/NOAA GOES Project/

2017 deve terminar entre os três anos mais quentes do registro histórico

Prévia da Organização Meteorológica Mundial mostra que de janeiro a setembro, a temperatura ficou 1,1°C acima dos níveis pré-Revolução Industrial; aquecimento se dá mesmo sem El Niño

Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

06 Novembro 2017 | 09h25
Atualizado 06 Novembro 2017 | 12h35

Depois de três quebras consecutivas de recorde de temperatura nos últimos três anos, 2017 não vai fechar como o ano mais quente. Mas isso não é uma boa notícia. A expectativa é que será um dos três anos mais quentes do registro histórico, anunciou nesta segunda-feira, 6, a Organização Meteorológica Mundial, na abertura da 23.ª Conferência do Clima da ONU, em Bonn. E 2017 deve fechar com recorde de eventos climáticos extremos.

De acordo com a OMM, relatório prévio do estado do clima mostra que a média global de temperatura entre janeiro e setembro foi de aproximadamente 1,1°C acima que antes da Revolução Industrial. 

Por causa do El Niño poderoso, 2016 deve permanecer como o ano mais quente desde o início dos registros. O fenômeno climático também já tinha influenciado as temperaturas em 2015. De modo que 2017 está quente por conta própria, sem ajuda extra. Pela estimativa da OMM, 2017 e 2015 devem ficar com o segundo e/ou terceiro lugar. E o período de 2013 a 2017 já está garantido como os cinco anos mais quentes desde que as temperaturas começaram a ser medidas, em 1880.

A organização lembra que outros indicadores de longo prazo atestam que as mudanças do clima estão em curso, como o aumento da concentração de dióxido de carbono na atmosfera, o aumento do nível do mar e a acidificação dos oceanos, além do crescente número de eventos de alto impacto, como os catastróficos furacões e inundações que o planeta teve neste ano, além de ondas de calor e secas.

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"Os últimos três anos ficaram no topo em termos de recordes de temperatura. Isso faz parte de uma tendência de aquecimento a longo prazo", afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, em comunicado distribuído à imprensa. 

"Nós estamos testemunhando um clima extraordinário, incluindo temperaturas superiores a 50°C na Ásia, furacões recorde em rápida sucessão no Caribe e no Atlântico alcançando locais tão distantes quanto a Irlanda, devastadoras inundações de monções que afetaram muitos milhões de pessoas e uma seca implacável na África Oriental", continuou.

Danos

O relatório cita estudos de outras agências da ONU que também revelam impactos. A FAO (agricultura e alimentação), por exemplo, revelou que nos países em desenvolvimento, a agricultura (incluindo aqui também pesca, aquicultura e silvicultura) respondeu por 26% de todos os danos e perdas associados a tempestades de grande e média intensidade, inundações e seca.

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Já a OMS (saúde) alertou para a distribuição das ondas de calor e apontou que o risco geral de doenças ou mortes relacionadas ao calor subiu de forma constante desde 1980. Hoje, cerca de 30% da população mundial vive em condições climáticas que produzem ondas de calor extremas e prolongadas. Relatório divulgado na semana passada pela revista Lancet mostrou que entre 2000 e 2016, o número de pessoas vulneráveis ​​expostas a eventos de ondas de calor aumentou aproximadamente 125 milhões.

Outro dado citado é do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados e Organização Internacional para as Migrações, que calculou que em 2016, 23,5 milhões de pessoas foram deslocadas durante desastres relacionados ao clima.

Extremos

Segundo a OMM, o ano, até agora, teve vários eventos extremos atípicos. É o caso da temporada de ciclones do Atlântico Norte. Foi a primeira vez que dois furacões da Categoria 4 (Harvey e Irma) atingiram a terra no mesmo ano nos Estados Unidos. A precipitação em sete dias foi de 1539 mm, o maior índice já registrado para um único evento no continente dos EUA. Ainda de acordo com o relatório divulgado nesta segunda, Irma teve ventos de 300 km / h por 37 horas – o mais longo no registro de satélite naquela intensidade – e passou três dias consecutivos como um furacão de categoria 5, também o mais longo registrado.

"Embora não haja evidências claras de que a mudança climática esteja fazendo com que a ocorrência de furacões que se movem lentamente e alcancem a terra, como o Harvey, seja mais ou menos freqüente, é provável que a mudança climática induzida pelo ser humano torna as taxas de precipitação mais intensas e que o aumento contínuo do nível do mar exacerbam os impactos das ondas de tempestade", aponta a equipe de especialistas da OMM.

Também chamaram atenção as fortes chuvas que atingiram Serra Leoa, em agosto, quando um deslizamento de terra em Freetown matou 500 pessoas.  Nepal, Bangladesh e Índia sofreram com inundações em agosto que causaram 1.200 mortes e deixou mais de 40 milhões deslocados ou afetados. No outro extemo, secas intensas afetaram parte da África Oriental, em especial em Somália, Quênia e Etiópia.

 

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