Um dos melhores programas de índio

Tania Valeria Gomes

22 Abril 2012 | 11h25

Hoje é o Dia da Terra e eu venho aqui para falar de um pedaço de terra bem especial, do Parque Indígena do Xingu. Ontem eu fui (finalmente) assistir ao filme Xingu e fiquei encantada com a história.

A produção dirigida por Cao Hamburger trata daquele tipo de história que todos deveriam saber, mas poucos têm conhecimento. A produção fala do encontro dos irmãos Villas-Bôas com os índios do pouco explorado oeste brasileiro em meados do século passado.

O filme mostra como foi a aproximação, a vivência, os dilemas e batalhas que tiveram que ser travadas, sobretudo no campo da burocracia. É difícil dizer o quanto de ficção foi permitido colocar na obra, mas se metade do esforço mostrado no filme para assegurar o direito à terra aos índios for verdadeiro, isso já é suficiente para torná-los um bom exemplo de respeito ao próximo. Eles, inclusive, foram indicados ao Prêmio Nobel da Paz em 1971.


Claro que podemos perder horas discutindo o problema que a chegada deles causou para as tribos da região. Muitos índios morreram com a ‘doença do branco’, mas não devemos esquecer que se não fossem eles, seriam outros. Aquele pedaço de terra não ia ficar intocada e inexplorada para sempre. Menos mal que parte dela foi desbravada por pessoas que tiveram a coragem de abrir mão do conforto para viver entre os índios e, assim, perceber as reais necessidades deles. Pessoas que ouviam os próprios e se esforçaram para entendê-los.

Um fato que tornou a sessão de cinema ainda mais especial foi a presença de uma prima de segundo grau dos Villas-Bôas. Poucos minutos após o início do filme, as luzes acenderam e um funcionário do cinema entrou conduzindo uma senhorinha e com outras ao seu redor. Ele ajudava Maria José Villas-Bôas de Barros a entrar e se sentar para assistir ao filme que mostrava parte da vida de seus familiares famosos. Eu só saberia quem ela era depois, quando, na saída, meu namorado e eu as vimos tirando fotos ao lado do cartaz do filme no corredor. Ele se ofereceu para tirar a foto de todas juntas e isso foi o suficiente para que se animassem a contar porque estavam ali.

A dona Zezé, como ela é chamada pelas amigas, tem Alzheimer e por isso não se lembra dos irmãos Villas-Bôas, mesmo sendo seus parentes. Então as amigas a levaram ao cinema para tentar fazer com que ela lembrasse. Achei bem legal da parte delas.

Enfim, recomendo o filme. É nota dez, vale a pena assistir.

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