Consumo Consciente

Paulo Silva

18 Novembro 2010 | 18h08

Por Paulina Chamorro

“Consumo sustentável implica em atender às necessidades das gerações presentes e futuras com bens e serviços de forma econômica, social e ambientalmente sustentáveis”.
(Clausula 42, Diretrizes de Proteção ao consumidor das Nações Unidas, 1999) 

Será que é compatível com os modernos níveis de produção e consumo?
Hoje já aprendemos até sobre termos como pegada ecológica de países e de pessoas, que significa quanto o estilo de vida e de consumo impactam o planeta.

O sistema de produção de alimentos e produtos hoje e de consumo chegou a  cifras exorbitantes. De acordo com o relatório ‘O Estado do Mundo 2010’, do Instituto Akatu e o Worldwatch Institute (WWI), atualmente um sexto da humanidade consome 78% de tudo o que é produzido.

O relatório tem um trecho interessantíssimo:
“Só em 2008, pessoas no mundo todo compraram 68 milhões de veículos, 85 milhões de geladeiras, 297 milhões de computadores e 1,2 bilhão de telefones móveis (celulares). O consumo teve um crescimento tremendo nos últimos cinquenta anos, registrando um aumento de 28% em relação aos US$ 23,9 trilhões gastos em 1996 e seis vezes mais do que os US$ 4,9 trilhões gastos em 1960 (em dólares de 2008). Parte desse aumento é resultante do crescimento populacional, mas o número de seres humanos cresceu apenas a uma razão de 2,2 entre 1960 e 2006. Sendo assim, os gastos com consumo por pessoa praticamente triplicaram.

Como o consumo aumentou, mais combustíveis, minerais e metais foram extraídos da terra, mais árvores foram derrubadas e mais terra foi arada para o cultivo de alimentos (muitas vezes para alimentar gado, visto que pessoas com patamares de renda mais elevada começaram a comer mais carne). Entre 1950 e 2005, por exemplo, a produção de metais cresceu seis vezes, a de petróleo, oito, e o consumo de gás natural, 14 vezes. No total, 60 bilhões de toneladas de recursos são hoje extraídas anualmente – cerca de 50% a mais do que há apenas 30 anos. Hoje, o europeu médio usa 43 quilos de recursos diariamente, e o americano médio, 88 quilos. No final das contas, o mundo extrai o equivalente a 112 edifícios Empire State da Terra a cada dia.

A exploração desses recursos para a manutenção de níveis de consumo cada vez mais altos vem exercendo pressão crescente sobre os sistemas da Terra, e esse processo vem destruindo com grande impacto os sistemas ecológicos dos quais a humanidade e incontáveis outras espécies dependem. O Indicador de Pegada Ecológica, que compara o impacto ecológico humano com a quantidade de terra produtiva e área marítima disponíveis para o abastecimento de ecossistemas centrais, mostra que hoje a humanidade usa recursos e serviços de 1,3 Terra . (Veja Figura 1). Em outras palavras, as pessoas estão usando quase um terço a mais da capacidade da Terra do que a efetivamente disponível, afetando a regeneração dos próprios ecossistemas dos quais a humanidade depende.

Baixe o Relatório completo aqui! http://www.akatu.org.br/akatu_acao/publicacoes/reflexoes-sobre-o-consumo-consciente/estado-do-mundo-2010-transformando-culturas-2013-do-consumismo-a-sustentabilidade

O consumidor tem um papel importante na medida que ainda pode  criar tendências  de consumo que obriguem as empresas a mudar seu sistemas de produção.

 O Almanaque Brasil Socioambiental, no capitulo dedicado ao Consumo  Sustentável, das autoras  Marilena Lazzarini  e Lisa Gunn, dão pistas de como, nós, sociedade civil, podemos  ajudar neste processo:
“- Reflita sobre seus hábitos de consumo e oportunidades de mudança visando a redução  dos impactos sociais e ambientais negativos. Por exemplo: em vez de consumir alface, tomate, cebola e batata o ano inteiro, aprenda quais são as frutas, legumes e verduras da estação, que exigem a menor aplicação da quantidade de agrotóxicos. Se possível consumo produtos orgânicos.
-Indague às empresas proprietárias das marcas que você habitualmente consome sobre os impactos sociais e ambientais da produção dos produtos e serviços. Demande mudanças no processo de produção e ações no pós-consumo. Exemplo: Produtos elétricos e eletrônicos eficientes- as empresas podem fabricar equipamentos eficientes no uso de energia e se responsabilizar pela coleta dos produtos no pós- consumo.
O consumidor precisa estar convencido de que, quando faz compras, está de fato, exercendo uma responsabilidade social, política e moral que vai além dos seus interesses particulares.”