Boas vindas!

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tiagoqueiroz

24 Janeiro 2016 | 23h48

Das memórias da infância lembro com carinho dos finais de semana passados no sítio de meu avô, na beira da Represa Billings, onde ele tinha uma pequena, mas notável plantação de verduras, um caramanchão no alto de um morro repleto de chuchus e um pomar com laranjas, limões, jabuticabas e goiabas.
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O almoço era feito no rancho, um espaço bem simples, mas com um potente fogão a lenha. Lá, meu avô fazia arroz, feijão e bife acebolado. Acho que nunca mais comi um arroz, com feijão e bife tão gostosos como aqueles. Tudo muito simples e rústico. Para beber, limonada com limões recém colhidos no pomar.

Os moleques da família; eu, meu irmão e meus primos fazíamos “guerrinhas” de limão e laranja podres. Uma vez, na falta de munição adequada, joguei um torrete de barro endurecido na cabeça de meu primo. Bateu com força e precisão e na hora o sangue jorrou, para desespero de minha mãe que cuidava de todos aqueles pestes.

À tarde buscávamos madeira seca, pedaços de pau de todos os tamanhos que conseguíssemos carregar e no terreiro entre o rancho e o poço d´água fazíamos elaboradas fogueiras. A senha para acendê-las era o anoitecer, com seus barulhos de sapos, cigarras e voos rasantes de morcego. O temor era o de molhar o lençol naquela noite, pois os mais velhos ficavam nos pondo medo: “Criança que mexe com fogo faz xixi na cama”, assustava minha avó!

Não havia celular, computador, facebook, instagram, mas tinha coelhos que meu avô criava para a família comer, formigas, árvores para subir e morros para escalar. Havia a represa, que já era poluída na época, infelizmente.

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Por que escrevo isso agora, no texto inicial desse blog? Porque cresci, meu avô faleceu, o sítio foi vendido, mas nunca esqueci desse tempo. Tenho saudades dessa vivência com a terra, com as coisas simples e tenho o desejo utópico de ver um pouco desse espírito na cidade.

Os grupos que cada vez mais aparecem em São Paulo, como as hortas comunitárias, os plantadores de árvores, protetores de abelhas nativas e tantos outros, mostram que não estou só nessa busca.

Por aqui quero mostrar histórias de gente que tem amor por plantas e pela cidade, com ações que deixam as metrópoles mais humanas.

Naturaleza: natureza e gentileza para uma vida urbana com mais qualidade!

Seja bem-vindo (a)!