#AnvisaPoupeVidas: salve os animais dos cruéis e ultrapassados testes de envenenamento para agrotóxicos

#AnvisaPoupeVidas: salve os animais dos cruéis e ultrapassados testes de envenenamento para agrotóxicos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA, está se preparando para uma votação de grande relevância que trata sobre a revisão dos requisitos de testes para agrotóxicos - essas mudanças significarão a diferença entre vida e morte de inúmeros animais de laboratório.

Marcia Triunfol

21 Junho 2017 | 11h02

De herbicidas a repelentes de insetos, agrotóxicos são um veneno, e é por isso mesmo que eles funcionam. No entanto, devido a sua natureza tóxica, agências de regulamentação do governo brasileiro e também de outros países, exigem que cada novo agrotóxico seja testado, o que é feito em animais -muitos animais!- mais de 10 mil ratos, camundongos, coelhos, pássaros, cachorros (sim, cachorros!) para cada agrotóxico vendido no Brasil!

Neste exato momento, animais nos laboratórios de todos cantos do país estão sendo forçados a engolir, inalar ou terem friccionados em sua pele agrotóxicos, podendo ser submetidos a isso por semanas ou até por anos. Alguns testes literalmente envenenam os animais até a morte para determinar qual é a “dose letal” de um composto químico, e isso é feito sem que nada seja utilizado para aliviar a dor do animal. E o que é pior, este sofrimento horroroso continua mesmo quando abordagens mais modernas, que poderiam reduzir o uso de animais pela metade, já existem e são amplamente reconhecidas por muitos países.

Para entender melhor, imagine uma mensagem sendo enviada através de um pombo correio ao invés de se usar o WhatsApp ou mesmo o e-mail. Sem noção, não é? A tecnologia já nos trouxe tantas coisas que parece um grande retrocesso usar qualquer opção que não seja a mais recente ferramenta para qualquer que seja a tarefa. Então, por qual motivo a segurança dos agrotóxicos ainda precisa ser avaliada por meio de testes que tem de 50 a 90 anos de idade?

Enquanto você lê essa história, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a ANVISA, está se preparando para uma votação de grande relevância que trata sobre a revisão dos requisitos de testes para agrotóxicos – essas mudanças significarão a diferença entre vida e morte de inúmeros animais de laboratório. Esta é uma oportunidade única que surge apenas uma vez em décadas (a última regulamentação possui 25 anos de idade!), para que a agência modernize as suas abordagens de avaliação de segurança, migrando dos métodos antigos em direção a novas abordagens que não são apenas mais éticas, como também melhores ferramentas no que diz respeito a capacidade de prever os possíveis efeitos nocivos em todos, incluindo consumidores de produtos previamente tratados com agrotóxicos, trabalhadores da indústria e aqueles que o aplicam os agrotóxicos diretamente nos campos.

No Brasil, a Humane Society International (HSI, organização da qual sou consultora) está trabalhando nos bastidores desde 2014, contribuindo e apoiando o trabalho da ANVISA, fornecendo à agência propostas detalhadas para a revisão dos requisitos de testes regulatórios que são fundamentados por precedentes científicos e regulatórios em outros países. A HSI forneceu relatórios, publicações e realizou treinamento com os técnicos da ANVISA, e no início deste mês (junho) houve um encontro com o presidente da ANVISA.  

Alguns créditos já são possíveis de se atribuir a ANVISA, que já concordou com algumas alterações propostas pela HSI, incluindo a eliminação dos testes de longa duração realizados em cachorros. No entanto, ainda há muito para aprimorar. A HSI solicitou ao presidente da ANVISA que se comprometesse, pessoalmente, com o seguinte:

Substituição dos testes de irritação ocular e cutânea em coelhos, testes de alergia cutânea em camundongos e porquinho da índia, e absorção cutânea em ratos para todos agrotóxicos e produtos formulados através da incorporação/adoção de métodos alternativos reconhecidos internacionalmente.

Substituição dos testes de dose letal (DL50) por via oral, cutânea e por inalação em ratos e coelhos para todos os produtos formulados por meio da adoção de abordagens de cálculos internacionalmente reconhecidos.

Eliminação de testes redundantes por via cutânea em animais.

Eliminação de testes redundantes em camundongo como segunda espécie.

Redução do uso de animais com estratégias de testes mais eficientes.

A adoção de abordagens mais modernas para assegurar a avaliação de segurança dos agrotóxicos não irá apenas salvar a vida de milhares de animais, mas irá também direcionar o novo caminho tecnológico que o país quer seguir. Esta atitude também significa um passo rumo aos compromissos de governo previstos em seu Plano Plurianual para 2016-2019, que preconiza a promoção da produção científica e o desenvolvimento de novas tecnologias no país.

A palavra final da ANVISA sobre esse processo de revisão é esperada para o final de junho. Há uma petição da HSI que reivindica a inclusão dos cinco tópicos mencionados acima em prol da modernização da regulamentação de agrotóxicos e da substituição dos cruéis e desnecessários testes em animais. Considere!

#AnvisaPoupeVidas!

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