Árvores estão sumindo na cidade de Santos (SP)

Lucia Damico

13 Julho 2012 | 11h57

Desde o início dos anos 2000, a cidade de Santos vem sofrendo um processo desenfreado de perda de áreas verdes, provocado principalmente pelo crescimento do número de empreendimentos da construção civil. Quem mora em Santos já não aguenta mais ver tantos prédios sendo erguidos. Além de acabar com a circulação de vento na cidade, inflacionar o mercado imobiliário, expulsar o santista de classe média da própria cidade – porque qualquer apartamento de 50 m² custa quase meio milhão de reais – este fenômeno está acabando com as árvores do município.

Encontrei um triste exemplo na Rua Silva Jardim, no bairro do Macuco. Neste local, há um terreno onde existiam dezenas de espécies de árvores, algumas centenárias. Hoje, a maior parte foi arrancada e, entre as poucas que sobraram, quase todas estão praticamente mortas.

Um morador da área que pediu para não ser identificado me contou que, até o ano passado, o espaço era repleto de árvores e pássaros silvestres faziam ninhos nelas. “Minha família mora por aqui há quase 80 anos. É muito triste ver isso acontecer. Infelizmente, quando há dinheiro envolvido, não conseguimos fazer nada”, lamentou o morador.

Outro exemplo fica na Rua Alvaro Alvim, no bairro do Embaré. Cinco residências foram ao chão e mais um empreendimento imobiliário de alto padrão será construído. Deste terreno foram arrancadas todas as plantas e restou apenas uma árvore, que continua em pé graças à intervenção do Ibama.


Assim como esses dois casos, existem muitos outros e a cidade perde muito em qualidade de vida. O ambientalista e presidente da ONG Ecofaxina, William Rodriguez Schepis, explica que a ausência de árvores provoca a formação de ilhas de calor. “Com pouca ou nenhuma vegetação, os microclimas urbanos são alterados e as condições de conforto ambiental das cidades se modificam. A impermeabilização dos solos – por causa da pavimentação e do desvio da água para bueiros e galerias – reduz o processo de evaporação e evapotranspiração urbana, modificando o balanço hídrico da superfície urbana, o que pode aumentar a possibilidade de enchentes e deslizamentos de terra”.

O ambientalista é categórico ao afirmar que a retirada da vegetação sem a devida reposição gera impacto totalmente negativo nas cidades. “O número de árvores em Santos deveria ser, pelo menos, o triplo do atual”, diz o ambientalista.

Outra demonstração do aumento da temperatura com a ausência de árvores em Santos está no bairro do Campo Grande. Na Rua José Clemente Pereira, um trecho de quase 300 metros não tem nenhuma. Na Rua João Carvalha Filho, na quadra aberta em 2007 foram plantadas árvores que nunca cresceram.

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