Vai para a Amazônia? Veja o que não pode faltar na sua necessaire

Vai para a Amazônia? Veja o que não pode faltar na sua necessaire

Maria Fernanda Ribeiro

01 Fevereiro 2017 | 06h00

Preparava meus apetrechos para tomar banho na aldeia Água Viva, localizada às margens do rio Tarauacá, no estado do Acre, quando percebi que havia esquecido no banheiro do hotel da cidade mais próxima, que estava a 48 horas de canoa, o shampoo e o condicionador.

 

Um desespero brando tomou conta dos meus pensamentos e foi fácil visualizar o estado em que meus cabelos estariam após dez dias tomando banho de rio cuja água é barrenta e não cristalina e usando apenas sabonete. Lembrei imediatamente do meu pai, que nunca se importou de lavar a sua pequena cabeça com fios nem tão escassos com uma barra de Rexona de qualquer fragrância.

 


No terceiro dia, durante um banho em um igarapé, que para quem não sabe é um curso d’agua, mas sem profundidade, acompanhada de um índio Kaxinawá, comentei sobre a experiência em usar sabonete líquido no cabelo.

 

O índio me deu as costas como se ignorasse por completo o meu maior e único problema existencial daquele momento e caminhou um pouco naquela água, que não ultrapassava as canelas, e se agachou. Ficou ali por alguns minutos e voltou com uma argila amarela que ele apertava bem entre as mãos e moldou até adquirir o formato de uma barra de chocolate, ou de ouro, ou de sabonete mesmo, o que preferirem.

 

Ele orientou que eu a esfregasse no cabelo. “Com força, Maria Fernanda, vai.” E a menina urbana do shampoo kerastáse apenas obedecia, mas não sem apreensão. Poucos minutos depois eu estava com o cabelo limpo e macio. Mas nunca lindo como o das índias. Nunca. E se você perguntar para uma índia qual é o segredo, ela só vai te encarar e sorrir, sem lhe revelar nada, como se dissesse “sou linda assim mesmo.”

 

Desde desse dia, muitos dos meus produtos convencionais e industrializados foram trocados por naturais. Além da economia financeira, quando falamos de Amazônia é inviável ter apego a marcas porque pode até ser que tenha, mas na maioria das vezes não tem não. É a capital mundial do tem, mas acabou. Sem contar que é realmente maravilhoso saber que o que a gente precisa está ali, ao nosso alcance. É só esticar a mão. Ou se agachar um pouco no igarapé.

 

Então, listei aqui seis itens que não podem faltar de jeito nenhum na nécessaire de quem vai para a floresta:

 

  • Sabonete de enxofre
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Esse item tornou-se indispensável depois que eu sofri uma infestação de carrapatos e contabilizei 48 mordidas espalhadas pelo corpo todo. O sabonete de enxofre pode até não ser cheiroso, mas possui ação antiinflamatória, adstringente e antibacteriana. Ou seja, mata carrapato e ainda combate a acne, tira a oleosidade da pele e do cabelo e é vendido em qualquer farmácia. O mais conhecido é o da Granado, mas há outras marcas disponíveis e tão boas quanto.

 

  • Álcool

Esse composto orgânico vai te livrar de vários problemas, sejam eles momentâneos ou futuros. Pode ser usado para higienizar as mãos, para ser jogado no corpo após uma trilha pela floresta para matar os carrapatos (e talvez você nem precise do sabonete de enxofre), como repelente – basta jogar uns cravos dentro para potencializar o efeito – e para ajudar a fazer fogo caso a sua habilidade para acender uma fogueira ainda deixe a desejar, o que é o meu caso.

 

  • Óleo de copaíba

Extraído da copaibeira, uma árvore de grande porte encontrada na floresta, poderia ser canonizado pelos inúmeros e comprovados milagres concedidos. O óleo de copaíba pode ser usado para tratar problemas de pele, como eczema, psoríase e dermatite, hidratar a pele, esterilizar e desinfeccionar machucados, acelerar a cicatrização de ferimentos e reduzir a oleosidade. Confia e vai.

 

 

  • Protetor solar

Ah, mas precisa protetor solar dentro da floresta? Dentro não, mas quando for rodar nove horas de canoa sob o sol escaldante, precisa sim.

 

 

  • Minancora

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Lembra daquela pomada de embalagem redondinha, da época das nossas avós e que vende em qualquer farmácia por preços módicos? Isso, essa mesma, de 1915. Então, ela ajuda a aliviar as coceiras das picadas dos mosquitos, a cicatrizar pequenas feridas, secar espinhas, frieiras, arranhões, assaduras e até queimaduras.

 

  • Bicarbonato de sódio.

Esse é o campeão dos campeões. Custa quase nada, vende em todas as farmácias e vai te salvar de várias roubadas. Esqueceu o shampoo? Dissolva um pouco de bicarbonato em um copo de água e pronto. Ah, mas meu cabelo vai ficar embaraçado. Joga um pouco de vinagre de maçã que ainda vai ficar macio e com brilho. Está sem pasta de dente? Bicarbonato. Quer fazer uma esfoliação na pele em plena floresta? Mistura uma parte de bicarbonato para três de água e voilá. Desodorante está pesando na mala? Polvilha bicarbonato nas axilas e vá em frente. Comeu alguma coisa que pesou no estômago? Ele de novo, o bicarbonato.

 

Depois que troquei vários dos meus produtos por esses sete itens, minha mochila ficou mais leve e minha alma também. Mas isso não significa que eu não use mais shampoo ou pasta de dente, tá? Essas dicas aqui são apenas para saberem que há alternativas acessíveis e eficientes para vários daqueles produtos que vocês tinham certeza que não poderiam viver sem. O bolso agradece. E a natureza também.

 

Ah, e se você tiver outras dicas por favor me conta!

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