Confira dicas de livros e filmes para conhecer mais sobre a Amazônia
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Confira dicas de livros e filmes para conhecer mais sobre a Amazônia

Maria Fernanda Ribeiro

14 Março 2017 | 10h16

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Antes de iniciar a minha jornada pela Amazônia, em julho do ano passado, me afundei em livros, filmes e documentários que pudessem auxiliar no processo em que me encontrava de expandir o olhar e os horizontes em relação à floresta e seus povos.

 

Eu, que só tinha estado na selva em uma viagem rápida de férias,  busquei na leitura e nas imagens inspiração para traçar quais caminhos eu seguiria.

 

De lá até o presente momento, foram poucos os livros lidos e os documentários assistidos que não tenham tido relação com a Amazônia. Por isso, deixo aqui algumas dicas para entender um pouco das histórias que permeiam essa que é a maior floresta tropical do mundo. A imensidão do verde também inspira a arte.

 

  1. A queda do céu

Escrito a partir das palavras do xamã e porta-voz do povo Yanomami, Davi Kopenawa, essa é sem dúvida uma das grandes obras do nosso século para entender e refletir sobre o contato do homem branco com os povos indígenas e a destruição da floresta Amazônica. O livro é um relato dele e nos faz questionar sobre o avanço do progresso a qualquer custo. Davi também nos emociona com suas palavras genuínas sobre cosmologia, xamanismo e a luta para levar ao mundo sua busca por proteção e para denunciar o abuso contra seu povo.

 

É um calhamaço de 768 páginas, mas vale cada linha.

 

  1. O Ladrão do fim do mundo

 

A história contada pelo autor Joe Jackson de como o inglês Henry Wickham contrabandeou 70 mil sementes de seringueiras da Floresta Amazônica para a Inglaterra no século XIX é um dos casos mais emblemáticos de biopirataria de espécies amazônicas. O livro é, por vezes, enfadonho devido aos inúmeros detalhes, mas ilustra bem parte da história que envolve a floresta, com a exploração da borracha e a escravidão dos seus povos. Movido pela ambição de crescer na indústria da borracha, à época tão importante quanto a do petróleo hoje, Wickham decide explorar a selva amazônica na Venezuela e no Brasil.

 

Eu optei pela versão digital, mas se você é daqueles que gostam mesmo é do cheiro do livro, tem a versão em papel nas livrarias porque já vi por aí.

 

  1. Chico Mendes. Crime e Castigo

 

Esse foi um dos primeiros que li ao decidir que viajaria pela floresta. Afinal, como falar de Amazônia e não saber de Chico Mendes e seu legado? Ainda mais em uma parte da história contada pelo Zuenir Ventura, que tem um texto tão primoroso como leve. A história: No começo de 1989, Zuenir Ventura foi enviado ao Acre para uma série de reportagens sobre o assassinato do seringueiro Chico Mendes, ocorrido em dezembro de 1988. Quinze anos depois, em 2003, Zuenir retornou à região para concluir a grande reportagem sobre o herói dos povos da floresta.

 

O meu exemplar eu comprei num sebo, mas é fácil de encontrar nas livrarias.

 

  1. Caminhos de Liberdade, a luta pela defesa da selva

 

Está aí um livro da Amazônia que, apesar de publicado em 1993 e ser pouco conhecido, foi para mim uma grata revelação, tanto pelo autor espanhol Javier Moro, que eu nunca tinha ouvido falar apesar de hoje saber que ele tem ótimos e muitas obras publicadas, como pela maneira como a história é contada.

 

Ora lido como romance policial, ora como relato histórico, este livro reconstrói, com a mesma paixão com que Chico Mendes defendeu a Amazônia, o drama da ocupação da selva em três gerações, começando com migração dos nordestinos que fugiam da seca e da miséria com a esperança de que a época da exploração da borracha traria dias melhores.

 

Mais uma vez eu adquiri o meu no sebo (adoro pagar pouco), mas diferente da dica anterior, esse aqui não se encontra tão facilmente assim nas livrarias do país. É preciso garimpar bem, mas vale à pena. Garanto.

 

  1. Amazônia 20º andar

 

Imagem retirada do livro

 

Relutei muito para ler esse livro do Guilherme Fiúza. Não pelo autor, que eu já conhecia de outras obras mas, talvez porque eu tivesse conhecido vários dos personagens durante a minha passagem pelo Acre, não sabia se gostaria de me envolver demais com suas histórias, mas fui convencida por uma amiga e agora estou aqui, inserindo-o na minha lista de favoritos. A história é assim: Um grupo de amigos conhece Chico Mendes no Rio um mês antes de seu assassinato. Decidem que não dá para salvar a Amazônia sem se meter na floresta. Com índios e seringueiros, criam o ‘couro vegetal’ e mergulham numa trilha de conquistas internacionais e dramas pessoais, recheados de perigos, fracassos e, como não poderia deixar de ser, sucessos.

 

Não tem versão digital e nas livrarias não é tão fácil de encontrar. À época eu comprei o último exemplar na Martins Fontes.

 

  1. Esqueleto na Lagoa Verde

 

Este livro aqui é a prova viva que a Amazônia judia de quem se atreve a decifrá-la e que quando se está nela fica difícil sair, mesmo que se queira. Em 1925, o coronel britânico Percy Harrison Fawcett tentou encontrar no interior do Brasil uma fabulosa cidade perdida no sertão. Não era a primeira vez que procurava a Atlântida tropical, mas foi a última – Fawcett e seus companheiros de expedição desapareceram na mata.
Vinte e sete anos mais tarde, em 1952, o jornalista Antonio Callado esteve na região do Xingu, em uma viagem organizada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Graças ao sertanista Orlando Villas Boas e aos índios calapalos, chegaram ao local onde presumivelmente se encontrava a cova com os ossos do coronel desaparecido.

 

Eu adquiri uma versão velhinha, velhinha, lá dos idos da década de 40, mas o livro foi relançado pela Companhia das Letras e está disponível pelas livrarias do País.

 

  1. Tristes Trópicos

 

Não sei explicar os motivos, mas deixei esse livro por último e só voltei a lembrar dele quando, recentemente, um amigo me chamou a atenção por estar na Amazônia e ainda ignorar a grande obra escrita pelo antropólogo e filósofo Claude Lévi-Strauss. O livro é um ensaio publicado em 1955 na França que narra de forma romanceada sobre sociedades indígenas brasileiras, do Mato Grosso e da Amazônia, e discute as relações entre o Velho e o Novo Mundo, e o significado da civilização e do progresso.

 

É considerado um dos mais importantes livros de não-ficção do século passado. Lévi-Strauss viveu no Brasil durante quatro anos apenas, entre 1935 e 1939 e atuou como professor da USP (Universidade de São Paulo). Ler Tristes Trópicos não é simplesmente um livro de viagem. É um livro que te faz viajar pelos povos originários e entender suas quase indecifráveis nuances.

 

Não encontrei em versão digital, mas está disponível nas livrarias.

 

  1. Amazônia Eterna

 

Apesar de a Amazônia habitar o imaginário da maioria dos brasileiros, não é tão fácil encontrar documentários e longas disponíveis que retratam a floresta sem reforçar estereótipos ou que abordam ações positivas. O documentário Amazônia Eterna, dirigido por Belisario Franca (Giros) e idealizado em parceria com Maurício Magalhães (Agência Tudo), traz uma nova visão sobre as possibilidades de convivência harmônica entre a exploração da economia verde e a manutenção do ecossistema amazônico. O documentário apresenta nove projetos com propostas do uso da floresta de maneira sustentável, beneficiando diretamente a população local e promovendo boas parcerias econômicas. Atividades como agricultura, pesca, pecuária e extrativismo são desvendadas sob o respaldo de especialistas.

 

Tem na Netflix. Aproveitem.

 

  1. Primeiro Contato

 

Lançado em 2016, o documentário de 49 minutos examina a situação de um grupo de índios brasileiros previamente isolados, conhecidos como os Sapanawa, que fizeram contato em 2014. Conforme um dos membros do grupo explicou, eles estavam fugindo de uma série de massacres em que muitos membros de suas famílias haviam sido assassinados.

 

Há controvérsias em relação à abordagem atribuída às tribos isoladas, como pessoas que foram esquecidas pelo tempo, mas o documentário, que também está disponível na Netflix, é um boa maneira de entender como atuam as frentes de proteção etnoambiental e como é o trabalho de um sertanista, no caso de José Carlos Meirelles, que atua na área desde 1970 e já levou uma flechada no rosto e viu seu grupo atacado por índios isolados.

 

  1. Fitzcarraldo

 

Talvez você sofra um pouco para encontrar esse filme legendado em português. O clássico de 1982 de Werner Herzog, se passa no Peru do início do século XX. Para realizar seu sonho de construir uma casa de ópera na selva peruana, Brian “Fitzcarraldo” Fitzgerald arrenda um pedaço de terra de difícil acesso rico em borracha, na esperança de explorá-la. Para chegar ao local, nas profundezas da Amazônia, ele precisa da ajuda dos nativos em um plano arrojado para levar seu barco a vapor de um rio a outro pela região.

 

Há várias versões disponíveis no Youtube.

 

  • Um paraíso perdido

 

Se Euclides da Cunha não tivesse morrido antes pouco depois de voltar da Amazônia, esse teria sido o seu livro sobre a experiência na floresta. Apesar de a obra não ter sido escrita, há muitos textos espalhados na internet que retratam a jornada do escritor que, entre outras coisas, se espantou com o barulho aterrorizante nas noites amazônicas. Vale caçar por aí alguns dos relatos.

 

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