Uma nova janela para o meio ambiente
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Uma nova janela para o meio ambiente

Dener Giovanini

25 Maio 2016 | 22h45

Uma rara ilha de tranquilidade no governo do presidente interino Michel Temer, a presença do deputado federal Sarney Filho à frente do Ministério do Meio Ambiente está conseguindo pacificar e despertar apoio em diferentes segmentos sociais, mesmo entre aqueles que, a princípio, são divergentes. A grande aceitação ao nome de Sarney Filho não se deve a arroubos de generosidade dos ambientalistas, dos empresários e da classe política. Seu nome foi recebido com entusiasmo porque Sarney Filho, além de conhecer e dominar profundamente a agenda ambiental brasileira, possui dois talentos fundamentais para o exercício do cargo: a capacidade de ouvir e o poder de conciliar.

Quando ocupou a mesma posição durante o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, Sarney Filho deixou um legado de grandes realizações, como a criação do Sistema Nacional de Unidades de conservação (SNUC), a regulamentação da Lei 9.605 (Crimes Ambientais) e diversas ferramentas que garantiam as condições mínimas para uma gestão qualificada dos recursos naturais do país. Sarney filho também ouviu. E ouviu muito. Não ouviu apenas o que lhe interessava e não conversou apenas com aqueles que lhe eram amistosos. Isso foi um grande diferencial da sua gestão e lhe credenciou como um grande articulador.

Porém, os desafios de agora para o ministro do Meio Ambiente são muito maiores que os do início da era FHC. Independente da atual crise política, que contamina e prejudica todas as áreas do atual governo, a agenda ambiental brasileira enfrenta desafios gigantescos no Congresso Nacional, como a PEC 65 (Proposta de Emenda à Constituição que flexibiliza o licenciamento ambiental) e a PEC 215 (Proposta de Emenda à Constituição que altera os processos de demarcação de terras indígenas), além de outras pautas sensíveis e complexas, como o Código de Mineração, a exploração de petróleo, a segurança hídrica, etc. Todas essas questões ambientais possuem como ponto de convergência a escolha do modelo econômico que adotaremos e que irá definir as estratégias para o desenvolvimento nacional. E não são poucos os interesses envolvidos.

Se não bastassem todos esses desafios, Sarney Filho – assim como os demais ministros – assume o governo sem ter podido tomar pé da real situação de seu ministério. Não houve um processo de transição formal, aquele período onde a equipe que sai transfere as senhas dos computadores para a equipe que entra.

Mesmo com um cenário tão desfavorável, o novo ministro do Meio Ambiente já conseguiu uma grande vitória: reacender a esperança de um setor que vem sofrendo constantes retrocessos nos últimos anos. E diante da avalanche de más notícias que o Brasil vem enfrentando, já é um grande alento. Uma fresta de luz a entrar pela janela.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil