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Um barril de pólvora no Jardim Botânico do RJ

Dener Giovanini

27 Agosto 2012 | 17h01

Em suas origens, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ) surgiu onde funcionava uma antiga fábrica de pólvora. Em 1808, passada a ameaça napoleônica sobre a família real, D. João VI decidiu criar o Horto Real, no espaço onde funcionava a fábrica. Após 200 anos e tendo se transformado numa das maiores e mais importantes coleções botânicas do mundo, o JBRJ ainda exala cheiro de pólvora. E dessa vez, o pavio e o fósforo estão nas mãos do Ministério do Meio Ambiente.

Após uma profícua e elogiada gestão a frente do JBRJ, o presidente da instituição, Liszt Vieira, parece ter sucumbido diante do corpo mole da burocracia estatal em resolver de vez a questão fundiária do parque. Liszt, desde a sua posse em 2003, luta para retirar da área do JBRJ cerca de 600 moradias particulares. A presença dessas famílias, segundo a direção da instituição, impede a expansão das áreas destinadas tanto a pesquisa quanto a visitação pública.

Entre os opositores de Liszt Vieira está o deputado federal do PT e ex-ministro da Igualdade Racial do governo Lula, Edson Santos. Ele, que tem a mãe e uma irmã morando dentro da área do JBRJ, diz que a permanência dos moradores no local é um direito adquirido.

A decisão final sobre a questão caberá a Justiça, onde a batalha está sendo travada. A ministra Izabella Teixeira vai decidir nos próximos dias se aceitará a demissão de Liszt Vieira, que foi motivada pela briga fundiária. Se Liszt sair e as famílias lá permanecerem, será um triste capítulo da nossa história ambiental. Mais uma vez, o governo priorizará o “social” em detrimento ao ambiental.

Não acenda o pavio ministra Izabella. O Rio de Janeiro não merece isso. Nenhum brasileiro merece!