Poluição do ar continua em alta nos grandes centros urbanos
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Poluição do ar continua em alta nos grandes centros urbanos

Dener Giovanini

12 Novembro 2013 | 13h05

Redução de poluentes dos carros, entre o discurso e a prática

Até janeiro do ano que vem, o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) quer cumprir normas em que motos e carros, nacionais e importados, terão que acatar os limites de emissões de poluentes. Resta saber se o governo está jogando para a torcida ou se vai encarar de frente as resistências das montadoras de automóveis, fabricantes de derivados e até de postos de gasolina, que formam poderosas categorias. Do lado deles, o argumento principal é que mais cuidado com o meio ambiente encarece  as carangas e os produtos do petróleo. Antes do governo federal estabelecer novas regras, São Paulo e Rio de Janeiro já enfrentaram polêmicas para reduzir a fumaça negra. O Distrito Federal anunciou que a redução de poluentes aconteceria a partir já de 2013. Pelo menos nos carros a diesel. Pelas regras do Conama: os postos terão que adequar a venda de gasolina que possui menos poluentes, com uma queda de até 93,5% de enxofre em sua concentração. Quase como um país desenvolvido. Quem vai fiscalizar isso pelo país afora? Tem que combinar direitinho com os empresários. Senão, vira lei que não pega.

Foto: Marcelo Camargo/ABr

R$ 4 milhões para Tinguá, mas só dinheiro não basta

Antes de mais nada, é preciso lembrar que a reserva do Tinguá, no Rio de Janeiro, consiste em uma área em que autoridades sempre fizeram vista grossa para poluição de rios, tráfico de animais e caçadas irregulares. Agora, a Secretária do Meio Ambiente assinou um documento com seis prefeituras de regiões próximas à área de proteção ambiental para ampliar a proteção da Reserva Biológica do Tinguá. Os municípios se comprometeram a desenvolver projetos direcionados para a preservação da região que possui 26 mil hectares, uma das mais importantes unidades de conservação federal. Segundo o secretário Carlos Minc, que foi ministro do presidente Lula, serão investidos cerca de R$ 4 milhões para a reserva. Quem trabalha com meio ambiente sabe bem que dinheiro é importante, impulsiona projetos, mas não resolve sozinho. Vontade política, fiscalização e punição a criminosos são itens que vão proteger a reserva. Aí sim pode-se imaginar que, de verdade, pode haver geração de emprego e oportunidade de renda para comunidades da região.

Mulheres no front

Nessa terça-feira (12) no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, acontece o II Encontro da Rede de Mulheres Brasileiras líderes pela Sustentabilidade que tem como projeto discutir os desafios da liderança para mulheres no Brasil. O evento é promovido pelo Ministério do Meio Ambiente, implantado em 2011 com o objetivo de estimular ações de sustentabilidade em mulheres que atuam na liderança de instalações públicas e privadas, com ou sem fins lucrativos.

Cabo de guerra na COP-19

Até 22 de novembro, representantes de 190 países se reúnem em Varsóvia, capital da Polônia, para 19º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-19). Estará em pauta definir bases para um acordo em 2015 que tentará reduzir as mudanças climáticas, principalmente emissões de gases de efeito estufa que não param de crescer. A ideia é que o encontro formule bases para elaboração do novo protocolo de Kyoto. O grande desafio das negociações é repartir o esforço com os grandes países poluidores, como China e Estados Unidos. Ora, ficou fácil para o mundo desenvolvido preparar discursos pedindo consciência para os países emergentes, incluindo o Brasil, para deixar de poluir e não desmatar. Ou é pacto, e todos fazem força para o mesmo lado, ou vira cabo de guerra. E a gente sabe de que lado arrebenta.

Estudantes vão ajudar Ibama

Em meio a polêmica resolução do Conama que legalizava, na prática, o tráfico de animais silvestres, o Ibama assinou acordo técnico com a Universidade de Brasília (UnB) prevendo o acesso de alunos ao Centro de triagem de Animais Silvestres para “monitorar, acompanhar e até soltar” os animais. Esses centros, segundo o Ibama, estão lotados no país inteiro. Não custa lembrar que, assumindo a incompetência para cuidar dos bichos, neste ano, a ministra do Meio Ambiente, ao assinar a propota aprovada no Conama, autorizou que qualquer pessoa possa ficar com a guarda de até 10 animais silvestres. O acordo entre UNB e Ibama deve durar três anos.