Período da desova: Para proteger tartarugas ameaçadas na Amazônia, Ibama e PF fazem operações conjuntas
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Período da desova: Para proteger tartarugas ameaçadas na Amazônia, Ibama e PF fazem operações conjuntas

Dener Giovanini

14 Setembro 2013 | 22h06

Está previsto para começar no final do mês de setembro mais um espetáculo natural na Amazônia e também uma preocupação para autoridades ambientais e de segurança. O cenário, mais precisamente, compreende uma extensão de 150 quilômetros da praia do Rio Branco, entre as cidades de Rorainópolis e Caracaraí, no sul de Roraima. No local, quando o rio baixa, com o início da estiagem na região, forma-se uma exuberante paisagem de tabuleiro, ideal para a desova de espécies de tartarugas. Essa temporada segue até março. Mas a festa da natureza coloca em alerta total profissionais do Ibama e também da Polícia Federal. Se, por um lado, é necessário garantir as condições ideais para a procriação, do outro é necessário fiscalizar grupos de traficantes, conhecidos como tartarugueiros, que conseguem vender, ilegalmente, uma tartaruga por até R$ 500. A carne do animal é considerada exótica e de fácil aceitação na região, vendida inclusive em restaurantes com pratos mais caros.  Pela atual legislação, a venda deveria ser limitada e feita apenas por criadouros de animais silvestres regulamentados pelo Ibama.

As espécies ameaçadas na região são a Tartaruga da Amazônia (Podocmenes expansa) e o Tracajá (Podocmenes unifilis). As missões de coibir os ataques e promover o manejo ambiental não são dos mais simples. “Em um aspecto, conforme previsto no Projeto Quelônios da Amazônia, que vem sendo reestruturado, realizamos o manejo ecológico, com a identificação e contagem dos filhotes. Por outro, estamos envolvidos em ações fiscalizadoras”, explica o superintendente do Ibama em Roraima, Diego Bueno. Para essas ações, é preciso que o planejamento operacional seja precisamente detalhado.

Vários desses aspectos são sigilosos a fim de estarem sempre um passo na frente dos criminosos. A área de desova fica a 450 quilômetros de Boa Vista e os profissionais que são os “anjos da guarda” da natureza locomovem-se em barcos conhecidos como voadeiras. O ideal é que tivessem pelo menos um helicóptero à disposição. Apesar de recursos escassos, longe de serem ideais, durante todo o período de desova e de baixa do rio, há agentes na região que ficam acampados próximos à praia. Eles revezam-se ao longo de todo o período de observação.


“É um trabalho bastante difícil, com imensos desafios, já que esses criminosos mostraram-se bastante perigosos e organizados”, afirma o superintendente da Polícia Federal em Roraima, Alexandre Saraiva. Em 2006, morreu um colaborador do Ibama, José Santos, e outras três pessoas ficaram feridas. No ano passado, uma operação conseguiu salvar 400 tartarugas e um total de 15 suspeitos foram presos.

Tartarugueiros e comunidades – As tartarugas são capturadas em armadilhas chamadas de capa-sacos (redes feitas de cordas grossas), retiradas e transportadas até os currais onde sofrem bastante, já que são, segundo o Ibama e a Polícia Federal, submetidos a maus tratos, colocados em cercados temporários uma por cima da outra. Mesmo as tartarugas maiores são viradas de costas para baixo, de forma que não conseguem se desvirar sozinhas. Isso pode causar asfixia e morte de animais. Em uma operação recente, os agentes flagraram essa conduta dos criminosos.

Tanto Ibama como PF garantem que estão trabalhando em parceria e conscientizando comunidades ribeirinhas a denunciarem as atividades ilegais e a não participarem de forma alguma do comércio do animal. Tentam convencer, afinal, que há outras possibilidades de renda e que o solo “assoalhado” de filhotes de tartarugas faz da região um santuário único a ser protegido.

 

Imagens produzidas em operação no ano passado na Praia do Rio Branco, em Roraima

Fotos cedidas pela Polícia Federal

* Reportagem especial escrita pelo jornalista Luiz Cláudio Ferreira, com exclusividade, para o Blog Reflexões Ambientais.

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