O que fazer com o macaco Chico? De novo…
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O que fazer com o macaco Chico? De novo…

Dener Giovanini

12 Agosto 2013 | 17h08

No dia das crianças de 2011, publiquei aqui no Blog um texto que falava sobre um macaco. O nome dele era Chico. Ele vivia com a sua “família humana” há mais de 20 anos e foi retirado do convívio da mesma por iniciativa da fiscalização ambiental. A família consternada chorou. Os vizinhos, solidários, consolaram a mãe e o pai adotivo de Chico. Aquele Chico se foi. Agora a história se repete com outro macaco. Também da mesma espécie: macaco-prego. Também com o mesmo nome: Chico. Também com o mesmo drama.

Para ler o post do dia 12 de outubro de 2011, CLIQUE AQUI.

Ambas as histórias retratam uma triste realidade: ainda somos incompetentes e irresponsáveis em relação a nossa fauna silvestre. Os órgãos de controle e fiscalização ambiental estão cada vez mais perdidos em sua missão. Concentram seus parcos e fracos esforços na parte final da história, quando o estrago já foi feito. Ou seja, vivem de apreender animais, ao invés de impedir a sua retirada da natureza. Acham que fazem um belo serviço apreendendo um macaquinho aqui, um passarinho ali. A repressão é necessária, porém deveria ser feita para – efetivamente – evitar o comércio ilegal de animais silvestres, que é ostensivo e visível. Basta acessar algumas páginas da internet para encontrar milhares de anúncios virtuais, que oferecem uma enorme variedade de espécies da nossa fauna. Tem de tudo e para todos os gostos. De Chicos a jaguatiricas. Os répteis são, de longe, um grupo campeão de vendas. Em 2005, a RENCTAS – Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres – entregou ao Ministério Público Federal um dossiê contendo quase seis mil anúncios virtuais ilegais. Esses anúncios foram coletados da internet num prazo de apenas um mês. Hoje a situação é muito pior. Mas, o que fazem alguns agentes da lei? Fazem a espetaculização da notícia. Transformam a prova da sua incompetência (o animal que venceu todas as barreiras de fiscalização e chegou às mãos do consumidor final) em troféu de admiração.

Por outro lado temos equivocada manifestação dos “adoradores de duendes”, que confundem bicho com gente e querem tratar os animais como se humanos fossem. Os animais merecem respeito, mas principalmente respeito à sua condição de animal. Querer humanizar um animal silvestre, dando-lhe nome de gente, comida de gente e forçando-lhe um comportamento de gente é mais uma cabal prova da incompetência e do egoísmo humano. O animal precisa ser respeitado em sua essência. Pior se faz quando essa “humanização” se dá por meio de correntes, coleiras e roupinhas coloridas.

A “dona” do Chico nunca foi e nunca será sua mãe. Ela é apenas uma contraventora ambiental, que alimentou um comércio ganancioso e cruel. Ela não só deve ficar sem a companhia de seu “filho” Chico, como deve também responder por seu crime ambiental. Não importa se o animal estava com ela a mais de 30 anos ou a menos de trinta dias. O tempo é desprezível nesse caso. Para Chico, ele jamais voltará.

Os que pedem o retorno de Chico, ou Carla, ao seu “lar” devem estar sob a influência dos duendes malignos. São os mesmos que caem na armadilha de admirarem o troféu errado. Pensam que a dignidade para Chico está em voltar às correntes de seus “donos”. Olham, mas não enxergam.

Não me compadeço de Chico. Esse já era. Morreu. Morreu no dia em que foi arrancado da natureza. Hoje ele é apenas uma carcaça do que um dia já foi um animal silvestre. Fiquem com ela. Brinquem e amansem seus egos com esse troféu indigno.