O CISNE NEGRO DO MEIO AMBIENTE
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O CISNE NEGRO DO MEIO AMBIENTE

Dener Giovanini

05 Outubro 2011 | 14h47

Tive a oportunidade de conhecer Nassim Nicholas Taleb em Davos, Suíça, durante um dos encontros anuais do World Economic Fórum. Dentro de um ônibus, que nos levava para um evento cultural numa vinícola perto de Genebra, Taleb nos divertia com suas observações bem-humoradas do mundo.

Alguns anos atrás, tive o prazer de receber em minha casa, num sinal de extrema simpatia e generosidade de Taleb, um exemplar do livro A Lógica do Cisne Negro – O Impacto do Altamente Improvável. Agradeci, li e guardei.

O livro contém teorias sobre acontecimentos imprevisíveis que mudaram, e mudam, a história da humanidade. Aborda, de forma instigante, a nossa incapacidade lógica para encontrar explicações para tudo que nos cerca.

Nassim Taleb, um libanês que fugiu da guerra e se exiliou nos Estados Unidos, hoje é um dos maiores pensadores mundiais e, provavelmente, o maior especialista sobre riscos da atualidade. Seu pensamento é desconcertante. Sua lógica é cruel para com os donos do saber. Apesar de ser um PHD, ele mantém, ainda hoje, uma relação pouco amistosa com a academia.

“As pessoas não gostam de ouvir que o mundo é mais aleatório do que imaginam”, preferem ‘profetas’ que mintam e as façam se sentir bem. (Nassim Taleb)

O texto de Taleb nunca me saiu da mente. E quanto mais o tempo passa, mais identifico possibilidades de aplicação das suas teorias na área ambiental. Suas lições sobre a imprevisibilidade se encaixam perfeitamente num mundo onde existem muitas “certezas” sobre do nosso futuro. Taleb, ao insistir na necessidade de admitirmos o “não sei”, reinventa magistralmente a lógica socrática do “só sei que nada sei”.

Faço a indicação desse livro para todas as pessoas que querem expandir os seus horizontes. Não é uma leitura fácil, porém, em cada página vamos descobrindo novas formas de interpretar os sinais que o planeta nos dá.

Termino lembrando um outro texto de Caetano Veloso, que muito tem a ver com as teorias de Taleb. Nele, Caetano também nos dá uma dica de como podemos não enxergar uma realidade que insiste em nos cercar:

E aquilo que nesse momento se revelará aos povos

Surpreenderá a todos, não por ser exótico

Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto

Quando terá sido o óbvio.

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