O Brasil precisa de um choque ambiental. E dos grandes…
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O Brasil precisa de um choque ambiental. E dos grandes…

Dener Giovanini

01 Novembro 2014 | 16h16

Apesar de ainda pipocarem, aqui e ali, manifestos e reações extremadas de alguns inconformados com os resultados eleitorais de 2014, o fato é que a quase totalidade do mundo político já está se organizando para traçar suas estratégias de sobrevivência, durante a continuidade do governo da presidente Dilma Rousseff. Cada qual, a sua maneira, tenta impor as suas prioridades na agenda.

Reformas no sistema político e tributário, disputam espaço com a lista de ministeriáveis. A nova configuração do Congresso Nacional, a partir do próximo ano, indica que a corda da composição será esticada ao máximo, com sério risco de romper-se.

O tema ambiental – com a mesma relevância com que foi tratado durante os debates presidenciais, ou seja, nenhuma – ocupa um dos últimos lugares no teatro político.

A verdade – que precisa ser dita e escancarada – é que Meio Ambiente só tem força no Brasil quando estampa campanhas de marketing para turbinar a venda de produtos. Na política, habita um ministério que só é lembrado quando se torna sinônimo de problema. Para ser exato, meio ministério, já que divide o prédio na esplanada com o seu primo pobre, o da Cultura.

A gestão do PT na área ambiental não foi exitosa. Ao contrário, ficou muito a desejar. Desde que a pasta era comandada por Marina Silva, o Brasil assistiu inúmeros retrocessos e viu crescer – conduzida pela batuta da gestão débil – a burocracia e a ineficiência. Talvez o maior erro de Marina Silva tenha sido o esfacelamento do IBAMA, dividindo o órgão com a criação do ICMBIO e o Serviço Florestal Brasileiro. Ela engessou a gestão ambiental e deixou de herança três órgãos públicos desarticulados, fracos e desestruturados financeiramente. Carlos Minc e Izabella Teixeira também não conseguiram ir além de Marina. Todos sucumbiram ao fato de que a pasta que comandaram e comandam, sempre foi um apêndice quase indesejado na administração federal.

A inexistência do protagonismo ambiental no governo talvez seja explicada pela falta de cadência entre a teoria e a prática do mundo moderno e globalizado. Na teoria todos desejamos um mundo que preserve a natureza. Na prática todos queremos um carro novo. E também na prática, o meio ambiente fica só na teoria.

E qual seria a ponte que levaria o debate ambiental a sair do obscurantismo teórico para a realidade iluminada? A resposta é simples: a economia.

Foi a economia que deu o tom da campanha presidencial. Foi ela, e não os bagres de Rondônia, que pesaram na decisão – certa ou errada, como queiram – do eleitor. Um aumento de 100% no desmatamento da Amazônia não é nada perto de um aumento de 4% do tomate ou de 0,25% da taxa SELIC, quando o cidadão está sozinho na frente da urna.

Se o Brasil fosse uma escola, o papel do meio ambiente caberia ao inspetor de corredor, aquele cara chato que fica proibindo tudo, que fica resmungando quando um aluno demora um pouco mais no banheiro ou ainda, que tem orgasmos quando vê a oportunidade de fazer uma anotação negativa na caderneta de alguém. No final de ano ele nunca é lembrado e jamais recebe presentes. No máximo, leva uma bronca do diretor quando o corredor do colégio está sujo.

Por mais simplista que possa parecer a comparação acima, é exatamente assim que age o consenso ambiental que hoje domina o planalto central do Brasil.

Proíbe-se diante da incapacidade de normatizar. Desestimula-se ante a necessidade de se incentivar.

Se na economia regras claras e incentivos são essenciais para o desenvolvimento, no meio ambiente não deveria ser diferente.

Se de tempos em tempos um país precisa de um choque em sua economia para reorganizar a casa, diminuir a burocracia e ouvir as necessidades do mercado, também precisamos de um choque ambiental. Um choque duro – de alta voltagem – que queime de vez os arautos do atraso, que escondem suas maledicências atrás de discursos técnicos que nem as pererecas da BR-101 aguentam mais ouvir.

Torço para que a presidente Dilma Rousseff trate as questões ambientais em seu novo governo com a mesma preocupação que deverá dedicar às questões econômicas. A começar colocando no Ministério do Meio Ambiente alguém do “mercado”. Talvez um economista ou um empresário. Alguém que seja capaz de enxergar oportunidades e que consiga administrar com base em resultados e não em teorias românticas.

É disso que precisamos. É disso que o país precisa.

Choque já!

Foto: Raulff Lima