Impeachment já!
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Impeachment já!

Dener Giovanini

05 Novembro 2014 | 10h25

O Brasil não pode ter um presidente governando o país sob o manto da desconfiança. Não podemos – e nem devemos – aceitar que o mandatário da nação esteja cercado por suspeitas que resvalam no cerceamento do trabalho da imprensa e no favorecimento de aliados através da construção de obras suspeitas.

Também não podemos aceitar que os “cabeças” do partido, que hoje ocupa o poder, tenham seus nomes transitando em diversas Varas Judiciais por meio de processos recheados com suspeitas de corrupção, superfaturamento de obras e outras acusações até mais pesadas.

Um governo que é eleito com uma pequena margem de votos sobre o concorrente e, o mais grave, através de urnas eletrônicas facilmente manipuláveis e fraudadas, não tem nenhuma legitimidade para exercer o seu mandato.

O Brasil não pode se transformar no quintal de meia dúzia de países que querem impor seu estilo de vida através de suspeitos “acordos de cooperação internacional”.

Chega! Basta!

Queremos o Impeachment de Aécio Neves já!

Os leitores que chegaram até aqui, provavelmente acharam que eu estava me referindo à presidente Dilma Rousseff. Outros,  nem se deram ao trabalho de ler alguns parágrafos a mais. Pelo título e pelas primeiras linhas, já devem ter se entusiasmado o suficiente para sair correndo a compartilhar esse artigo nas redes sociais.

Os argumentos que expus no início desse texto, com certeza seriam utilizados pelos extremistas da esquerda, caso Aécio Neves tivesse vencido as eleições. Afinal, não faltaram na campanha presidencial, acusações sobre a perseguição a jornalistas em Minas Gerais, construção de aeroportos privados, mensalões mineiros, Metrô paulista e até acusações mais, digamos, escandalosas. Hoje estaríamos vendo muitas bandeiras vermelhas saindo às ruas, em manifestações “democráticas”, exigindo auditoria das urnas e pedindo a cabeça do eleito.

Caso o cenário descrito acima se concretizasse, eu aqui estaria cerrando fileira ao lado de Aécio Neves – da mesma forma como faço hoje com a presidente Dilma – defendendo sua legitimidade e criticando aqueles que, por não se conformarem com a derrota, exigem um terceiro turno, seja lá o que isso signifique na mente dessa gente.

Quem vai às ruas gritar pelo impeachment ou pedir uma intervenção militar (Golpe sim! Não existe intervenção militar que não seja sinônimo de golpe ou ditadura), está no seu direito democrático de exercer a sua cidadania. E também está no dever de aceitar criticas daqueles que – como eu – rejeitam categoricamente esse tipo de comportamento.

As tais manifestações “pacíficas” (mesmo capitaneadas por gente que berra no trio elétrico exibindo pistola na cintura) ou por artistas que se esforçam para homenagear Bin Laden, entram para o nosso folclore político apenas como mais um gesto daqueles que buscam o protagonismo político à custa de uma exibição pública vergonhosa, no estilo meu nome é Enéas.

Dessa turma também faz parte o cidadão que, graças à internet e sua meia dúzia de seguidores, sente-se empoderado ao ponto de agir como um especialista em Ciências Políticas. Ele faz previsões catastróficas sobre o futuro do Brasil. Imagina que ano que vem seremos um país vivendo sob uma ditadura comunista, onde todos vestirão uniformes cinzas e saudarão o grande líder Castro. Sua especialidade é tecer teorias conspiratórias e espalhá-las como um fato consumado.

Esse militante desmiolado trata Dilma e Lula como se fossem a foice e o martelo. É incapaz de enxergar a realidade como ela é.

Durante os oito anos de mandato do presidente Lula e os quatro da presidente Dilma, jamais, em tempo algum, existiu qualquer ação ou iniciativa que mostrassem desprezo pela democracia. Ao contrário. Lula poderia, se quisesse, enviar ao Congresso Nacional uma Emenda Constitucional que lhe garantisse um terceiro mandato. Estaria eleito. Não o fez por que é um democrata. Dilma disputou duas eleições que foram pautadas pela livre cobertura da imprensa e com total garantia dos direitos do eleitor. De onde então vem essa teoria da cubanização, do bolivarianismo?

Talvez a psiquiatria explique.

A verdade é que algumas pessoas gostam de jogar nas costas do governo os seus próprios fracassos, achando que uma eleição irá mudar suas vidas da água para o vinho. Repetem de quatro em quatro anos o ritual do Ano Novo, acreditando que, por causa de uma data no calendário, a sua vida dali em diante será diferente. No primeiro dia de janeiro descobrem que tudo continuou igual e, a partir daí, passam a culpar o governo pela infelicidade que reina em seus lares, pelo seu salário ruim ou pelo seu fracasso como ser humano. Afinal, alguém tem que assumir a culpa das limitações.

Diante de tanta necessidade de encontrar um bode expiatório, o frustrado mantém sempre à mão um leque de opções. “Fizeram macumba para mim” e “tem um encosto que me persegue” são as mais comuns. Mas em época de eleições não dá outra: “a culpa é da Dilma, é do PT”!

Raros são aqueles que, de fato, demonstram uma verdadeira preocupação para com o próximo ou para com o destino do país.

Boa parte dos que bradam por democracia são os primeiros a se incomodarem, quando gente que não pertence a sua “classe”, passa a dividir o mesmo espaço.

Muitos dos que clamam por igualdade são os primeiros a procurarem um jeitinho de favorecer um parente com a ajuda de um amigo político. São os mesmos que cospem no chão, jogam lixo nas ruas, subornam o guarda de trânsito ou, ainda, que insistem em entrar no elevador mesmo sabendo que ele está com a capacidade esgotada.

A internet acabou virando um palanque para essa gente que se acha “diferenciada”, importante, esclarecida e politicamente engajada. Elas querem iluminar o mundo com a sua luz de vagalume.

Ainda bem que o Brasil verdadeiro não é, nem de longe, a republiqueta que está em suas mentes.

Alguns líderes do PSDB agiram corretamente ao dar um passa fora nessa turma, ao afirmarem que não concordam e não endossam discursos antidemocráticos vindos de mentes excretoras ao gosto de Levy Fidelix.

Dilma Rousseff foi legitimamente reeleita e tem grandes desafios pela frente. Os brasileiros que, verdadeiramente batalham por uma vida melhor, não podem desejar outra coisa que não o sucesso de seu governo. É assim que se fortalece a democracia. É assim que o Brasil precisa continuar. Sem encostos.