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DESCRÉDITO PAIRA SOBRE RIO+20

Dener Giovanini

13 Junho 2012 | 20h05

Com um discurso da presidente Dilma Rousseff, foi aberta oficialmente hoje, no Riocentro, a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20.  Passados 20 anos da realização da ECO92, o mundo volta suas atenções novamente para a cidade do Rio de Janeiro. Se os resultados da primeira conferência ficaram aquém do esperado, dessa vez a decepção deve ser muito maior.

Ao contrário do cenário econômico de 1992, onde os países desenvolvidos tinham uma margem de segurança bastante razoável para implementar medidas mais restritivas sobre suas economias, hoje, uma Europa cambaleante não deve impor nenhuma mudança mais profunda que possa implicar em perda de mercado ou de competitividade de suas empresas. Além disso, a ausência de líderes mundiais importantes, como por exemplo, o presidente dos EUA, Barack Obama e da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, contribui para esvaziar ainda mais a importância do evento. Mesmo aqueles que são mais céticos deverão se frustrar.

É evidente que ninguém deve esperar milagres ou grande mudança de rota em conferências desse tipo. Esses encontros servem muito mais para dar uma satisfação à opinião pública mundial do que para implementar modelos diferentes de desenvolvimento e produção. No fundo, cada país ali representado, cederá até o ponto em que sua economia não seja afetada. O histórico das conferências patrocinadas pela ONU nos mostra uma persistente timidez quando propostas mais ousadas são colocadas na mesa.

O espaço para os debates também se presta a servir de palco para algumas organizações ambientalistas – regidas por seus dirigentes barbudos e antiquados – pregarem o amor à natureza e aos duendes. Alguns deles, mais desequilibrados, já estão anunciando o fim do mundo e imputando à raça humana a pecha de exterminadores do futuro. Pura balela de quem se desespera para cavar espaço na mídia. Para a infelicidade deles e para a nossa sorte, o mundo vai continuar existindo, com ou sem Rio+20.

O Brasil, mais uma vez, deve fazer feio. Não está conseguindo dar bons exemplos ao mundo e vai receber as visitas com a casa em desordem. Apesar de alguns avanços do governo Dilma, em relação aos dois mandatos do ex-presidente Lula, ainda estamos longe da zona de conforto ambiental. Se na era Lula as questões ambientais foram tratadas com desprezo por alguns membros do seu governo, a atual presidente tem se empenhado mais para não legar tantos atrasos e desmandos. Se ela irá conseguir só saberemos daqui a alguns anos. Até lá as apostas poderão ser feitas. Mas é bom apostar com muita prudência.