Brasil consegue reduzir o desmatamento na Amazônia, mas o Palácio do Planalto conseguiu estragar a festa
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Brasil consegue reduzir o desmatamento na Amazônia, mas o Palácio do Planalto conseguiu estragar a festa

Dener Giovanini

30 Agosto 2017 | 15h17

O que seriam dias de comemoração para o País, especialmente para o setor ambiental, transformaram-se em momentos de angústia e preocupação. Os animadores dados recém-divulgados pela ONG Imazon – que apontaram uma redução de 21% no índice do desmatamento na Amazônia – acabaram ficando em segundo plano, ante a desastrosa publicação de um decreto presidencial que tenta flexibilizar a exploração mineral na região.

Mesmo com uma recomendação contrária do Ministério do Meio Ambiente, a equipe palaciana abusou da insensatez e tentou, via o tal decreto, impor ao país uma iniciativa desnecessária e desprovida do imprescindível debate público. O presidente Temer e o ministro das Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, meteram os pés pelas mãos e, mais uma vez, o governo se auto sabotou.

Sarney Filho vira pedra no sapato da equipe palaciana

A agenda ambiental do governo Temer tem se transformado num intenso cabo de guerra entre os técnicos dos órgãos de controle e fiscalização – subordinados ao Ministério do Meio Ambiente – e muitos políticos que pregam o desenvolvimentismo a qualquer custo.


Não é de hoje que a atuação do ministro do Meio Ambiente vem provocando desconforto junto a alguns membros da equipe mais próxima do presidente Temer. Além de intensificar a fiscalização ambiental na Amazônia e conseguir uma redução significativa do desmatamento, Sarney Filho determinou o arquivamento em definitivo, pelo Ibama, do licenciamento para a construção da Usina Hidroelétrica São Luiz, que poderia causar danos irreparáveis no rio Tapajós, no Pará. Esse projeto era fervorosamente defendido pelos setores mais obscuros do agronegócio. Sarney Filho também enterrou as pretensões de empresas estrangeiras de explorarem petróleo na foz do rio Amazonas, o que colocaria em risco um imenso mosaico de Corais recém descoberto. E outra intervenção do ministro foi decisiva para reverter uma drástica redução do Parque Nacional do Jamanxim, também no Pará.

Com suas ações e decisões, o ministro Sarney Filho tornou-se o último obstáculo para aqueles que – munidos da sede de lucro e poder – pretendem acelerar o processo de desconstrução das conquistas ambientais do Brasil. Que o ministro resista!

Os ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho. (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)