BIODIVERSIDADE NÃO TEM PREÇO! OU TEM?
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BIODIVERSIDADE NÃO TEM PREÇO! OU TEM?

Dener Giovanini

09 Outubro 2011 | 16h56

Entender a diferença entre valorar e valorizar a nossa riqueza biológica talvez seja o principal desafio que temos pela frente.

Dar um valor ou valorar algo nos remete, quase sempre, a um sentimento de culpa. O dinheiro sempre esteve associado ao poder e as mazelas humanas. Condenado biblicamente – é mais fácil um camelo passar por um buraco de agulha do que um rico entrar no céu – ou, no mesmo contexto histórico, aceito como uma necessidade – dê a César o que é de César e a Deus o que é de Deus – o fato é que em quase toda a sua história evolutiva a humanidade viu-se diante de um dilema: quais os limites que separam o dinheiro bom do dinheiro ruim?

Esse dilema torna-se ainda mais delicado quando recai sobre o que vivo é. Se para muitos a vida de um bezerro é inquestionável quanto confrontada com o vil metal, para outros uma boa vitela vale o quanto pesa.

No imenso e fragmentado mosaico do atual pensamento ambiental brasileiro, encontramos posições absolutamente extremadas: existem os românticos radicais, que enxergam a biodiversidade como uma dádiva divina, que nos foi dada de presente apenas para a contemplação. Em lado oposto estão os desenvolvimentistas suicidas, que também enxergam a biodiversidade como um presente. Um presente barato, que se usa, se quebra e depois se joga fora. No meio dessas duas correntes está uma imensa diversidade de posições ideológicas impregnadas com teorias religiosas, partidárias e, por que não dizer, morais.

Infelizmente, no Brasil o debate ecológico ainda é fragmentado e, em grande parte, conflituoso. O tal “pensar globalmente e agir localmente” é uma expressão muito apropriada ao movimento ambientalista atual. Creio que não existe no planeta um setor que leve tão ao pé da letra essa recomendação. Para quem não está acostumado aos bastidores do reino encantado dos ecologistas, fica difícil compreender como funciona esse pensamento.

Mas usando a já conhecida mania de analogia de um ex-presidente, torna-se fácil explicar: meio ambiente é como futebol, quase todo mundo gosta, mas cada um torce por seu time e pronto.

E a guerra entre as torcidas organizadas é feroz. Uns acham que plantar árvores é mais importante que cuidar de animais silvestres, ou melhor, mais prioritário. E mesmo na turma dos bichos há discordância entre quem vai para a primeira divisão do campeonato: os bichos silvestres ou os domésticos. Cabe ressaltar que os ânimos sempre se exaltam nos minutos finais da partida, ou melhor, quando se precisa repartir os poucos recursos disponíveis. E, nesse momento do jogo, a favorita equipe holística toma uma goleada do time cartesiano.

Prever desde já qual desses pensamentos irá ganhar força e prevalecer nos próximos anos será de vital importância para compreendermos os desafios que teremos que enfrentar enquanto nação. Conciliar a imperiosa obrigação de proteção dos nossos recursos naturais com o necessário processo desenvolvimento econômico é o principal desafio do Brasil.

Estamos em um momento decisivo da nossa história.  Os questionamentos precisam – e devem – ser feitos agora. Cabe aos ambientalistas, de todos os matizes, apresentarem seus argumentos sobre o melhor destino para esse país. Cabe a sociedade escolher agora o presente que deixará para as futuras gerações. Porém, uma coisa é certa: qualquer que seja a escolha, ela não terá volta.

A biodiversidade faz do Brasil um dos países mais ricos do mundo. Quem definirá seu verdadeiro valor seremos exclusivamente nós, brasileiros. Como riqueza ela é um ativo poderoso se utilizado sabiamente: como um plano estratégico de consolidação da nossa liderança no cenário mundial. Caso contrário, ela se tornará apenas uma moeda fácil para quitarmos o nosso passivo social.

Quando encontrarmos uma resposta para esse desafio vamos, de fato, compreender o que o poeta quis dizer sobre a força da grana que ergue e destrói coisas belas.

 

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