BILHÕES QUE PODEM DIVIDIR O BRASIL
As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

BILHÕES QUE PODEM DIVIDIR O BRASIL

Dener Giovanini

11 Outubro 2011 | 15h41

Os recursos que serão gerados pelo pré-sal – a gigantesca reserva de petróleo brasileira – ainda não passam de uma miragem distante. Também está distante a precisão de valores. Para uns, seriam bilhões, os mais otimistas chegam a falar em trilhões de dólares. Tudo que envolve o pré-sal ainda é mistério, desde a tecnologia mais adequada para a sua extração até a qualidade do produto.

No mundo do pré-sal só existe uma certeza: a ganância de alguns políticos, loucos para colocar as mãos nos royalties que serão gerados no futuro, poderá levar, mais uma vez, ao aumento das injustiças sociais e ao alargamento das nossas diferenças regionais.

Governadores, como o do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, não querem abrir mão de um único centavo dessa riqueza. Alvoroçam-se e de tudo fazem para ter os cofres de seus governos recheados. E não se constrangem em apelar para o bairrismo, para o fingimento ou então, em rompantes de dramalhão mexicano, derramar lágrimas em público. Fazem de tudo para convencer os seus governados, que a luta pelo petróleo é uma batalha épica, nobre e justa. Pura balela. Para eles, o que realmente importa é o poder econômico que toda essa dinheirama irá trazer e pouco estão se importando com o restante do país.

Sou carioca, e da gema. Nasci em Vila Izabel e, entre meus conterrâneos, estão Martinho da Vila e Noel Rosa. E não é por causa disso que eu devo achar que o estado do Rio de Janeiro é mais merecedor que os outros entes da Federação. E muito menos vou defender, como muitos cariocas estão fazendo, a apologia do “se caiu no meu quintal, é meu!”

Acima de tudo, sou brasileiro. E entendo que, assim como os minérios do nosso subsolo, o pré-sal pertence à nação brasileira e não apenas aos estados produtores. É sempre bom lembrar que o pré-sal não está situado no “mar territorial carioca” e sim no mar territorial do Brasil.

Nos próximos dias, o Congresso nacional dará a palavra final. Dirá se mantem ou se derruba o veto do ex-presidente Lula, que movido por interesses políticos, vetou a proposta que permitia uma distribuição mais igualitária dos royalties.

O pré-sal brasileiro está sendo “vendido” ao povo como uma “benção de Deus”, como gostava de afirmar o ex-presidente Lula. Mas a realidade pode transformar uma suposta benção em maldição. Tudo vai depender de como o país irá conduzir esse tema. Os riscos ambientais são grandes e se forem aplicadas ao pré-sal os mesmos cuidados ambientais que o Brasil está aplicando a outros grandes empreendimentos, devemos começar a ficar bastante preocupados.

De qualquer forma, que fique aqui o alerta: o exemplo do Governador Sérgio Cabral é péssimo para um país que sempre se orgulhou da sua unidade federativa. Já tivemos um Cabral em nossa história. Ele aqui chegou e arrebatou para si, e para o reino que representava, as riquezas de todo um povo. Parece que a história vai se repetir.

Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral: O petróleo é nosso. Só nosso! Foto: Fábio Pozzebom/ABr

Mais conteúdo sobre:

Governo brasileiroReflexões