Tagbanua: Povo das águas

Carol Da Riva

09 Março 2013 | 08h29

Brincando com a criançada na ilha de Coron, Filipinas.

 

A pequena Coron é uma das mais de sete mil ilhas da Filipinas. Mas a única a abrigar os cerca de 2000 remanescentes do povo Tagbanua, que no dialeto local significa, o povo das águas.

Ilha de Coron, Filipinas – Lagoa Secreta

 

Donos de uma das consideradas mais belas ilhas do planeta, com lagoas de água transparente, dezenas de pequenas praias cercadas por falésias rochosas, areia branca e coloridos arrecifes de corais, os Tagbanua administram pessoalmente o fluxo de turistas.

Eles moram em duas vilas no lado norte da ilha, territórios proibidos para turistas, distante duas horas de barco da vizinha ilha de Busuanga, onde os forasteiros, como nós, costumam ficar hospedados.

Em Busuanga o vai e vem de barcos é intenso. A ilha é a principal base para os passeios pela região de Coron

 

Depois de muito rodar em Busuanga, finalmente conseguimos achar e convencer o líder da comunidade, Rodolfo Aguilar, a nos levar para a vila de Cabugao, a maior delas.

Logo cedinho, fui com o Rodolfo no mercado comprar betelnut para presentear aos anciões e uma bola de basquete para a juventude. Depois entramos com Rodolfo numa pequena bangka, o tipo de embarcação local, e partimos.

O caminho de barco já vale a viagem.

 

Ao chegar em Cabugao não acreditamos na beleza e isolamento do lugar. O cenário parecia do filme do King Kong, de tão selvagem.

O isolamento da comunidade impressiona. Até as crianças possuem canoas, aqui chamadas de bangkas.

 

Os Tagbanua vivem da pesca, da roça e, principalmente, da lucrativa coleta de ninhos de andorinha, que nidificam nos altos penhascos de Coron.

Depois da coleta, os ninhos são vendido à China, onde a iguaria é conhecida (em inglês) como the Bird Nest Soup.

O ninho de Andorinha é um mercado defendido com unhas e dentes pelos Tagbanuas

 

As crianças de Cabugao são muito amorosas. Queriam todas brincar com a pequena Luisa, que adorou a companhia.

A simplicidade da felicidade. Luisa e os Tagbanuas.

 

Vivendo num mundo sem energia elétrica, sem TV, nem internet, elas inventam formas divertidas de brincar. Algumas são simples como trepar em árvores.

A mais legal de todas foi a guerra de tampinhas. Para fazer o brinquedo eles batem com um martelo numa tampinha de refrigerante, achatando-a. Depois fazem um furo no meio, passam um novelo de lã pelo furo, enrolam a linha e combatem.

Quem corta a linha do outro primeiro, ganha.

 

O Tiago aprendeu a fazer o brinquedo e participou de animados combates com a criançada local.

Além de brincar, a criançada ajuda bastante seus familiares no cotidiano, indo cedinho coletar caranguejos no mangue, ou saindo para pescar .

As crianças Tagbanaus passam boa parte do dia dentro da água. Também com essa cor e temperatura…

 

A ilha de Coron poderia ser mais uma das Filipinas entregue aos grandes conglomerados do turismo. Mas graças a luta de Rodolfo Aguilar, espécie de herói, foi reconhecida como do povo Tagbanua.

“Esta proteção é para conservar nossa cultura” diz Rodolfo Aguilar, que aponta. “Veja a liberdade e felicidade de nossas crianças. Olhe a pureza da nossa água, do ar. E eles têm orgulho de nossa cultura.”

Quando chegamos de manhã na vila de Cabugao, esta senhora estava coletando algas. No finalzinho de tarde, ela ainda estava lá.

Se a natureza dependesse do exemplo dos Tagbanuas, nossas crianças iriam brincar num mar sempre limpinho e cheio de peixes. Eles são mesmo o povo das águas.

 

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