Uma outra verdade inconveniente: o etanol brasileiro é bom

Rodrigo Martins

25 Junho 2008 | 20h07

Dos biocombustíveis produzidos, o etanol brasileiro de cana é “o mais favorável do mundo”. O veredicto foi dado pelo relatório “Uma Outra Verdade Inconveniente”, divulgado hoje pela Oxfam, entidade britânica de combate à pobreza.

Fora o afago ao álcool brasileiro, o restante do documento é bastante crítico em relação às políticas de subsídios aos biocombustíveis praticadas pelos países ricos. Segundo o relatório, o etanol e o biodiesel são responsáveis por 30% do aumento no preço global dos alimentos, empurrando 30 milhões de pessoas ao redor do mundo para a pobreza.

O relatório emenda ainda que “embora a produção de etanol no Brasil esteja longe de ser perfeita e apresente vários problemas sociais e de sustentabilidade ambiental, este é o mais favorável do mundo em termos de custo e equilíbrio dos gases de efeito estufa.”

A Oxfam clamou aos países ricos que desmantelem os subsídios para biocombustíveis e reduzam as tarifas de importação. “Os países ricos gastam até US$ 15 bilhões no ano passado para apoiar a produção de biocombustíveis, e ao mesmo tempo impoem barreiras ao etanol brasileiro, que é muito menos danoso à segurança alimentar mundial e ao meio ambiente”, descreve o relatório (leia a íntegra).

A agência de combate à pobreza também sugere aos países ricos que joguem no lixo suas metas de biocombustíveis, incluindo os planos da União Européia de chegar a ter 10% de combustíveis de fontes renováveis até 2020.

Os planos europeus, no entanto, caminham para tornar mais rígidos os critérios para assegurar que os biocombustíveis não fazem mais mal do que bem ao planeta. Alguns países membros querem metas que sejam condicionadas à disponibilidade comercial da chamada segunda geração de biocombustíveis, produzidos a partir de resíduos orgânicos de fazendas, cavacos de madeira e lixo doméstico.

A Oxfam estima que até 2020, as emissões de CO2 resultantes do processo de conversão de terras para o plantio de matérias primas para fazer biodiesel seja maior que 3,1 bilhões de toneladas. Seriam precisos 46 anos de uso de biocombustíveis, nos níveis europeus previstos em 2020, para pagar essa “dívida de carbono”.

Pouco a pouco, parece que as resistências internacionais ao etanol brasileiro estão diminuindo. O prêmio Nobel da Paz de 2007, Rajendra Pachauri, disse recentemente que os biocombustíveis podem ser parte da solução para o aquecimento global. Mas, segundo ele, só aqueles produzidos de forma sustentável e que não gerem alta nos preços dos alimentos. “Parece que o etanol brasileiro se encaixa nesses critérios”, afirmou.