Pode um fabricante de SUVs ser verde?

Rodrigo Martins

13 Julho 2009 | 19h32

Falar de sustentabilidade na indústria automobilística é sempre uma tarefa espinhosa, pelos motivos que todos conhecemos – para serem fabricados, automóveis consomem montanhas de recursos naturais e energia, causam trânsito, emitem gases de efeito estufa, etc. E quando se fala em SUVs, os utilitários esportivos que até pouco tempo antes da crise figuravam entre os carros preferidos dos americanos, a coisa complica ainda mais.

Pois a Land Rover, marca britânica premium de utilitários esportivos, está determinada a provar que um fabricante de SUVs pode, sim, ser ‘verde’. Ou ao menos tentar. Cientes de que sustentabilidade pode agregar ainda mais valor à cobiçada marca, os executivos da companhia trataram de se aprumar nesse quesito.

Para começar, a companhia, que hoje faz parte do conglomerado indiano Tata Group, anunciou um investimento de 600 milhões de libras, nos próximos cinco anos, em tecnologias mais sustentáveis: tanto em pesquisa de combustíveis que substituam o diesel quanto em materiais mais leves, que ajudem a economizar combustível.

E, como os tempos estão mudando, a empresa anunciou ainda que vai lançar um carro “compacto”, o LRX. Não se trata, claro, de um 1.0. No caso da Land Rover, é um ‘crossover’ (misto de utilitário com sedã), que chega ao mercado em 2010 e que terá uma versão híbrida, a diesel e eletricidade.


“Definitivamente nossos novos carros terão motores mais eficientes. É por onde a indústria automotiva vai caminhar. Os clientes esperam eficiência no consumo de combustíveis, carros mais leves e tecnologias mais sustentáveis”, diz Phil Popham, presidente global da Land Rover, que esteve em São Paulo na semana passada.
Em uma entrevista sobre os negócios da companhia, ele contou, entre outras coisas, que a empresa está trabalhando para compensar as emissões de C02 do processo de fabricação dos carros (o que não é exatamente uma novidade) e também das primeiras 45 mil milhas de cada utilitário que vende (isso sim é uma nova abordagem).

Para isso, se uniu à conceituada ClimateCare, consultoria britânica especializada gestão de carbono, que tem clientes como Yahoo, Interface e Barclays, e elaborou um plano de compensação das emissões baseada em investimentos em energias renováveis em vários cantos do mundo. Desse programa surgiram parques eólicos na Turquia e na Índia, pequenas hidrelétricas no Tarjiquistão e China, plantas de biodiesel na Rússia e um projeto de fogão eficiente em Uganda, que diminui o consumo de lenha das famílias. A ideia por trás da seleção desses empreendimentos, segundo Popham, era dar um passo mais consistente do que simplesmente plantar árvores para compensar a poluição dos carros.


Presidente da Land Rover, Phil Popham, em foto de Valéria Gonçalves/AE

E os leitores, o que acham da estratégia? A indústria automobilística pode ser sustentável?