Pesquisas com biocombustível de algas já atraem investidores no Brasil

Rodrigo Martins

29 Julho 2009 | 20h12

As pesquisas na área de biocombustíveis de algas, ainda incipientes no Brasil, já começam a chamar a atenção de investidores e prometem se transformar em soluções viáveis comercialmente dentro de três anos. Entre outras aplicações, as algas podem produzir biodiesel e ajudar a reduzir as emissões de CO2 de indústrias poluidoras, como termelétricas, siderúrgicas e cimenteiras.

No País, o principal expoente no setor privado dessa nova tendência é a Algae Biotecnologia, uma empresa “start-up” (iniciante) de biotecnologia, que há três anos pesquisa sistemas de produção de microalgas em laboratório. Criada pelo engenheiro agrônomo Sérgio Goldemberg, a Algae chamou a atenção do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e da Agência Financiadora de estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Foto de Marcio Fernandes/AE

Por causa de seu caráter inovador, a empresa conseguiu um financiamento de R$ 5 milhões para pesquisa e acaba de ser adquirida pela Ecogeo, holding que atua no setor de soluções ambientais e que reúne outras cinco companhias.

“Em três anos, a tecnologia deverá estar pronta para patente e uso comercial. A primeira frente de pesquisa é eleger as melhores algas para fins de produção de biodiesel e sequestro de carbono”, diz Sérgio Goldemberg, gerente técnico da Algae Biotecnologia. A pesquisa está no sangue: Sérgio é filho do premiado físico José Goldemberg, da Universidade de São Paulo (USP).


O cultivo de microalgas, explica Sérgio, é feito em reatores dentro do laboratório. Nesses reatores, as microalgas, alimentadas por nutrientes – sendo o CO2 o principal deles -, dobram de tamanho a cada dois dias.

“Elas geram uma grande quantidade de biomassa rica em óleo, que pode ser extraído e transformado em biodiesel, pelo sistema tradicional. São mais eficientes que soja”, diz o empreendedor. Além do CO2, as algas podem ser alimentadas com outros nutrientes como resíduos agrícolas. “A vinhaça da cana-de-açúcar e os resíduos de criadouros de suínos são opções que estudamos.”

“As algas já sequestram carbono da atmosfera há muitos anos”, diz o geólogo Ernesto Moeri, presidente do Grupo Ecogeo, que adquiriu 65% do capital da Algae Biotecnologia. A aposta na empresa iniciante se justifica pelas boas perspectivas que os chamados negócios “verdes” têm no médio e longo prazo. A Ecogeo prevê integrar os cultivos de microalgas com as unidades de produção de biogás do grupo.

Nos EUA, as pesquisas com microalgas vivem um boom e são a nova aposta dos grupos de capital de risco. Até mesmo grandes petroleiras, como a Exxon Mobil, já anunciaram investimentos em biocombustíveis com algas. No Brasil, os estudos têm sido conduzidos pela Petrobrás (Cenpes), em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A estatal anunciou investimentos de US$ 2,4 bilhões em biocombustíveis até 2013, sendo 20% do total em biodiesel de diferentes fontes.


Ernesto Moeri e Sérgio Goldemberg, do grupo Ecogeo, estão entusiasmados com a viabilidade comercial das microalgas