Pegada florestal: poucas empresas prestaram contas

Rodrigo Martins

12 Fevereiro 2010 | 19h21

O impacto dos negócios das grandes empresas para os recursos florestais do planeta foi mapeado pela primeira vez e divulgado esta semana, em Londres. Como já adiantamos aqui, trata-se do primeiro relatório anual da pegada florestal (forest footprint), fruto da iniciativa Forest Footprint Disclosure Project – em tradução livre, algo como Projeto de Transparência da Pegada Florestal.

A iniciativa pretende esclarecer a relação entre o comércio de matérias-primas de origem florestal (especialmente madeira, carne bovina, soja, óleo de palma e biocombustíveis) e a perda da biodiversidade nos países que ainda comportam grandes extensões de floresta – caso do Brasil.

Para isso, foram escolhidas 217 grandes companhias, de alcance global para que disponibilizassem informações acerca de suas cadeias produtivas. Desse total, 35 companhias responderam à consulta, sendo duas empresas brasileiras, a Fibria, do setor de celulose e papel, e o frigorífico Independência. Outras 25 companhias se recusaram a prestar informações.

“A ideia é examinar até que ponto os negócios estão cientes de sua conexão com a perda da biodiversidade”, escreve Andrew Mitchell, coordenador do projeto, no relatório, que pode ser lido na íntegra

Documento

. “Diariamente, a floresta é consumida, seja em hamburgueres ou em produtos de beleza, sem que os consumidores se dêem conta disso”, diz ele.

Outro propósito do projeto é estimular que agentes de mercado, como bancos e investidores institucionais, aportem recursos em companhias que considerem os riscos socioambientais em suas cadeias produtivas. O relatório estima que o descaso com as florestas pode representar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em custos ambientais para a humanidade.