Para vender carne, é melhor cuidar bem dos animais

Rodrigo Martins

20 Junho 2008 | 17h59

Se o Brasil quiser manter sua posição como o maior exportador mundial de carne terá que estar mais atento a questões como saúde e bem-estar animal. Isso porque os chamados mercados de alto valor – Japão, União Européia, Reino Unido -estão aumentando suas exigências em relação a essas temas.

E mais: itens como sustentabilidade na produção e os cuidados na criação, que ainda não são mandatórios para se vender a esses mercados, devem ganhar espaço. O boi que avança sobre a Amazônia e os criadouros e matadouros que não garantem condições dignas para os animais poderão ser carta fora do baralho.

Quem avisa é Ralph Ashmead, um especialista canadense em saúde animal que elaborou um estudo sobre os principais mercados de carne no mundo, seus sistemas de rastreamento da carne e suas exigências se fazer negócios. A matéria completa está aqui: http://txt4.estado.com.br/editorias/2008/06/20/eco-1.93.4.20080620.35.1.xml

E por que essas questões estão se tornando tão importantes? Além de mais rigor na legislação desses países, a pressão de consumidores e de ONGs como a Peta (People for Ethical Treatment of Animals) – www.peta.org – está fazendo com que redes de fast food, como McDonald’s, Wendy’s e Burger King passem a exigir de seus fornecedores que a carne não venha de animais doentes ou mal-tratados. Ainda segundo o estudo de Ashmead, o uso de hormônios, excesso de antibióticos e ração inadequada também passam a ser pontos de atenção para quem produz carne.

A mesma Peta, famosa por tirar a roupa de celebridades em suas campanhas contra casacos de pele, vem travando uma batalha com a rede de fast-food americana KFC para exigir de seus fornecedores que comecem a banir os maus-tratos às aves nos processos de criação e abate. A briga é tão boa que a ONG até criou um site, www.kfccruelty.com, para convocar os americanos a boicotar a rede.