O 'Relatório Stern' brasileiro: um PIB a menos por causa do aquecimento global

Rodrigo Martins

25 Novembro 2009 | 22h36

O Brasil perder R$ 3,6 trilhões até 2050 em razão dos impactos provocados pelas mudanças climáticas no País, o que equivaleria a jogar fora um ano de crescimento econômico nos próximos 40 anos. A informação faz parte do estudo Economia das Mudanças do Clima no Brasil, divulgado hoje, que reuniu equipes de instituições reconhecidas como USP, UFRJ, Unicamp, Inpe, Embrapa e Fiocruz.

A ideia do relatório foi traçar, para o cenário brasileiro, um panorama semelhante ao desenhado pelo economista Nicholas Stern em 2006. Na ocasião, Stern traçou, a pedido do governo britânico, um estudo sobre os custos financeiros da mudança climática – este que ficou conhecido como Relatório Stern. A síntese do estudo enunciou que os investimentos necessários para atenuar os efeitos das mudanças climáticas consumiriam 1% do PIB mundial, ao ano. O mesmo relatório ponderou que, se nada fosse feito para combater a crise do clima, o estrago pode custar até 20% do PIB mundial.

Apesar das perdas econômicas que o País poderá sofrar, o estudo também aponta oportunidades. E todas ligadas à chamada economia verde, ou de baixo carbono. A agricultura, por exemplo, perde em produtividade e áreas cultiváveis (em especial as culturas de soja, milho e café). Mas a cana-de-açúcar pode aumentar sua área plantada em até 147% ao longo deste século – oportunidade de ouro para o setor de biocombustíveis. A substituição de combustíveis fósseis, aliás, evitaria a emissão doméstica de até 203 milhões de toneladas de CO2 até 2035.

Outra oportunidade apontada pelo relatório é o pagamento por serviços ambientais. Segundo o estudo, a preservação da floresta amazônica pode render até US$ 450 por hectare, o equivalente a US$ 3 por tonelada de carbono que deixar de ser lançada na atmosfera. Esse pagamento, segundo as instituições, desestimularia o desmatamento voltado à pecuária. Só não se sabe ainda quem vai pagar essa conta.

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