Não é crescer a taxas chinesas

Rodrigo Martins

11 Junho 2008 | 20h40

Ao contrário do que se pensa, o conceito de sustentabilidade não foi criado há coisa de dois anos, quando o termo passou a frequentar páginas de jornais e revistas e também o discurso das empresas, geralmente como sinômino de preocupação ambiental.

Sustentabilidade deriva da expressão ‘desenvolvimento sustentável’ , conceito lançado pelas Nações Unidas em 1987 – portanto, há mais de 20 anos – e que significa “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades” .
Não se trata, porém, de crescimento ininterrupto a taxas chinesas – o presidente Lula gosta de usar a expressão de modo incorreto em seus discursos, como no anúncio do PIB do trimestre, ontem.

O conceito nasceu como uma crítica ao modelo de desenvolvimento adotado pelos países industrializados e reproduzido sem maiores questionamentos pelas nações mais pobres. Ressalta os riscos do uso excessivo dos recursos naturais sem considerar a capacidade de suporte do planeta.
Com o crescimento da população mundial – a expectativa para 2050 é de 9,2 bilhões de habitantes, a maior parte deles na banda pobre – ou ’emergente’ – do mundo. Resta saber se haverá água, e ar respirável, e energia, e comida, para atender a todos.

Mais recentemente, na década de 1990, no meio empresarial cunhou-se e a idéia do ‘triple bottom line’ na gestão. Ou seja, para uma companhia ser bem-sucedida não bastava ter o ‘bottom line’ (a linha de baixo do balanço contábil, que mostra lucro ou prejuízo) positivo e sim ter alcançado satisfatoriamente o tripé crescimento econômico-ambiental-social.

E a sustentabilidade entrou com força no discurso empresarial. Para o bem ou para o mal. Às vezes com alguma consistência, e muitas outras vezes só como marketing vazio.

É desses temas – e dilemas – que esse blog vai se ocupar. Nos acompanhe!