Igualdade de oportunidades? Não nas empresas brasileiras

Rodrigo Martins

24 Junho 2008 | 21h33

Imagine figuras tarimbadas do noticiário político e econômico – como o presidente Lula, o governador de São Paulo, José Serra, os ministros Miguel Jorge e Fernando Haddad, o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, e mais um sem-número de presidentes de grandes empresas, como Vale, Petrobrás, Telefonica, Wal-Mart. E mais alguns expoentes de ONGs de defesa dos direitos humanos e de promoção da responsabilidade social nas empresas.

Todos esses personagens fizeram parte de um evento de proporções gigantescas, realizado nesta terça-feira, em São Paulo, para tratar do tema Direitos Humanos e Diversidade nas empresas. A idéia, que partiu do Instituto Ethos, foi colocar todo mundo para conversar e fazer um diagnóstico das causas que levam as empresas brasileiras – e os órgãos públicos, que também são grandes empregadores – a ter ambientes de trabalho tão desiguais.

A última pesquisa realizada sobre o tema, em 2007, mostrou que apenas 3,5% dos cargos de chefia são ocupados por negros no Brasil. As mulheres estão em situação pouco melhor: ocupam 11,5% dos cargos executivos, mas representam 43,5% da população economicamente ativa do País. E apesar de termos uma lei de cotas para deficientes, essas vagas são parcamente preenchidas. Principalmente nos cargos executivos: 0,4% das vagas de chefia são ocupadas por pessoas com algum tipo de deficiência.

O típico líder brasileiro é homem, branco e tem mais de 25 anos.

A pesquisa foi feita com as 500 maiores empresas brasileiras. A maior parte delas se declara comprometida com a ‘responsabilidade social’ e com a ‘diversidade’. Ao que parece, ou elas não estão fazendo a sua parte ou não estão fazendo direito, e há muito mais discurso que prática nessa seara.