Gordos tem mais 'peso' sobre o aquecimento global?

Rodrigo Martins

22 Abril 2009 | 20h40

Segundo pesquisadores ingleses, sim. As altas taxas de obesidade nos países ricos são responsáveis por até 1 bilhão de toneladas a mais de gases de efeito estufa por ano na atmosfera, em comparação com os países com população mais magra. Esse é o resultado de um estudo que está gerando a maior controvérsia no Reino Unido – até tablóides como o The Sun , estamparam na manchete que “Gordos causam o aquecimento global”.

Os cientistas Phil Edwards e Ian Roberts, da London School of Hygiene e Tropical Medicine, partiram do fato de que as populações mais obesas consomem mais alimentos e energia para se deslocar do que as de nações mais ‘magras’. O tema é preocupante, segundo os estudiosos, porque mais e mais países estão vendo suas populações engordarem – e não entre os ricos.

“A obesidade da população tem impactos ambientais”, disse ao jornal The Guardian o pesquisador Phil Edwards. No estudo, os pesquisadores compararam uma população ‘magra’ de um bilhão de habitantes (com peso médio equivalente a de um país como o Vietnã) com um bilhão de habitantes de um país considerado gordo – como os EUA – onde 40% da população sofre de obesidade.

A conclusão é que a população mais gorda representa maior impacto sobre os recursos naturais. A população mais gorda necessita de 19% a mais de energia dos alimentos para realizar suas atividades cotidianas. Além disso, nos países com sobrepeso há um uso mais intensivo de carros, o que aumenta a emissão de poluentes. “Quanto mais pesado o corpo, mais dependentes do carro as pessoas se tornam”, escreveram os pesquisadores.

As emissões de carbono decorrentes da produção de alimentos e das viagens de carro foram estimadas entre 400 milhões e 1 bilhão de toneladas a mais por ano. É um volume significativo se levarmos em conta que as emissões totais de gases estufa foram de 27 bilhões de toneladas em 2004.

Questão de estilo de vida
Os pesquisadores ressaltam que não se trata de mais uma perseguição aos gordinhos, ao contrário do que andaram noticiando os tablóides ingleses. O estudo foi sobre populações, não sobre indivíduos separadamente. A questão central é que muitos dos fatores que podem levar à obesidade – sedentarismo e consumo em demasia de alimentos industrializados – também tem peso sobre o meio ambiente. Afinal, emite-se muito mais CO2 para se produzir um trio hamburguer-batatas-refrigerante do que para uma refeição a base de vegetais.