Ecochatos, não. A onda agora são os Scuppies, os novos "verdes"

Rodrigo Martins

26 Julho 2008 | 21h08

Esqueça a figura do bicho-grilo em roupas puídas e com aversão ao banho. Também enterre o conceito do ‘ecochato’ panfletário. Os novos ‘verdes’ são jovens profissionais bem-sucedidos e antenados nas últimas novidades do consumo – socialmente responsável, é claro.

Eles são os scuppies, a última palavra em comportamento de consumo e mais nova tribo que começa a ganhar espaço nas grandes cidades. Scuppie é a sigla para Socially Conscious Upwardly-mobile Person”, algo como “pessoa socialmente consciente e em ascensão social” – (a tradução aqui pode variar, e agradeço aos leitores pelas colaborações!).

Quem inventou a expressão foi o americano Chuck Failla, um executivo do mercado financeiro que já está capitalizando em cima da nova “filosofia” – além de um site onde conta tudo sobre a tendência, Failla está prestes a lançar um “Manual do Scuppie”, que ao que parece, tem tudo para virar best-seller.

O scuppie é o cara que não abre mão do conforto e das facilidades tecnológicas, desde que o rótulo ‘ecofriendly’ esteja embutido em suas compras. Dirigem carros híbridos, fazem compras na Whole Foods (rede de varejo especializada em orgânicos e produtos naturais em geral), só vestem roupas de fibras naturais – cânhamo vale – e trocam as fraldas descartáveis dos filhos pelas de pano (humm, será?). A mesa do escritório é de mogno certificado e o café – da Starbucks – é de programas de comércio justo. São consumistas sim, mas é tudo – ou quase tudo – “pelo bem do planeta”…

Business as usual
Essas tipificações auxiliam um bocado o trabalho dos publicitários, e não poderiam ter nascido em outra pátria senão os EUA – quem não se lembra dos hippies e yuppies? Mas estereótipos à parte, o chamando consumo verde (green consumerism)ganha espaço e críticas na mesma proporção mundo afora. “O consumo verde é uma contradição”, diz Paul Hawken, um dos mais renomados pensadores da sustentabilidade, autor dos livros “Capitalismo Natural” e “A Ecologia do Comércio”. Apesar das vantagens das lâmpadas fluorescentes e da comida orgânica, o que se vê é o mesmo estímulo ao consumo ‘business as usual’, mas com aquela maquiagem ecologicamente correta.

Ao mesmo tempo, já começam a ganhar espaço grupos que estão se engajando em movimentos anti-consumo. Assunto para o próximo post, aguardem!