Crise já afeta vendas de madeira certificada

Rodrigo Martins

14 Janeiro 2009 | 20h43


Toras extraídas de áreas de manejo da Orsa no Pará, em foto de Marcio Fernandes/AE

A crise econômica chegou ao mercado de madeira certificada. Países como Holanda, Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos, maiores compradores da madeira extraída de áreas de manejo controlado, estão congelando as encomendas, como mostra reportagem que publicamos hoje no Estado.

O resultado é um acúmulo dos estoques das madeireiras que investiram em sistemas de certificação, como o popular FSC. E pior: se a demanda pela madeira com selo verde cai, aumenta a pressão das madeireiras sobre os recursos da floresta, muitas vezes extraídos de modo ilegal.

O mercado de madeira certificada vinha caminhando bem, com taxas de crescimento médio de 20% ao ano. Grandes varejistas, como Wal-Mart e Home Depot, se orgulhavam de oferecer produtos feitos com madeira certificada.
No Brasil, essa cadeia já empregava 1,2 milhão de pessoas – muitas delas vivem em comunidades no interior das florestas e buscaram a certificação para atender um nicho de mercado e se diferenciar da concorrência.

“Nunca tivemos um estoque tão grande. Com a crise, o que vale é o preço” conta o presidente do Grupo Orsa, Sérgio Amoroso. O grupo possui a maior área de floresta tropical certificada com o selo FSC do mundo – são 545 mil hectares no Pará. Em média, a madeira com certificação de origem custa 20% a mais. Agora, os compradores já não querem pagar esse “prêmio” pelo produto com selo verde.

Outra companhia, a Precious Woods Brasil, que possui uma área de 450 mil hectares certificados na Amazônia, teve um aumento de 60% nos estoques. A empresa exporta metade de sua produção de madeira para países da Europa. A crise está fazendo com que os consumidores finais reduzam as compras, e os compradores da madeira certificada nacional diminuíram ao máximo seus estoques. Agora, a empresa se prepara para vender mais no mercado doméstico. Mas, segundo o diretor da empresa, Christian Marzari, ainda falta conscientização. “Talvez tenhamos um mercado interno mais aquecido para a madeira com selo dentro de cinco a dez anos”, diz ele.

Em tempo: o selo FSC (sigla em inglês para Forest Stewardship Council, ou Conselho de Manejo Florestal) atesta que a madeira e outros produtos florestais são extraídos/produzidos observando limites de reposição da natureza e também com atenção a leis trabalhistas. O selo pode figurar em madeira, móveis, papel, embalagens e produtos de extrativismo, como castanhas e óleos essenciais.